Review | Mestres do Universo

Quando o “Eu, Astronauta” foi convidado pela Sony Pictures Brasil para pré-estreia nacional de “Mestres do Universo” (“Masters of the Universe”, 2026) no dia 24 de maio, não estávamos preparados para testemunhar a presença dos atores Nicholas Galitzine (Vermelho, Branco e Sangue Azul), Camila Mendes (Riverdale) e o diretor Travis Knight (Bumblebee) introduzindo o filme que estreia em breve a partir de 3 de junho nos cinemas brasileiros.

O desenho do “He-Man e os Mestres do Universo” sempre foi um fenômeno no Brasil, e criou uma geração de fãs desde os anos 80 atravessando décadas com versões atualizadas e se tornando um clássico, com o homem que ao empunhar uma espada e gritar palavras mágicas, se transformava num poderoso deus com força sobre-humana e confiança exacerbada que salva Eternia em inúmeras ocasiões das armações de Esqueleto e seus comparsas.

É neste molde que o live-action de “Mestres do Universo” se apoia, para trazer uma versão mais enxuta em detrimento da versão pouco fiel de 1987 estrelado por Dolph Lundgren. O principal ponto que você precisa entender é que esse longa é um filme “sem medo de ser feliz”, abraçando o brega, se apoiando em sequências de ação maravilhosas e no humor rasteiro para entregar tudo aquilo que o público busca numa boa adaptação.

Foto/Reprodução – Amazon MGM Studios / Sony Pictures

A criação da Mattel, produzida pela Amazon MGM Studios e distribuída internacionalmente pela Sony Pictures, é uma história contada a quatro mãos por Chris Butler, Aaron Nee, Adam Nee e David Callaham que parecem entender que o texto moldado para o desenho, cabia uma repaginação para os tempos atuais, resultando assim no ponto mais forte do filme.

Do momento que “Mestres do Universo” inicia com pequeno Adam (Artie Wilkinson-Hunt) mostrando carisma e vulnerabilidade, que o pai descreve como “frouxo”, até mergulhar no caos do ataque das forças de Esqueleto (Jared Leto) a Eternia, o expectador mesmo com bastante informação, percebe que é um filme que não enrola, mesmo com tendo mais de 2 horas e 20 minutos de duração.

A grande sacada aqui é que o próprio filme não se leva a sério e sabe equilibrar drama, trazendo empatia e personalidade para o He-Man que inicialmente é exilado na Terra após o Esqueleto e seus subordinados derrotarem Mentor (Idris Elba) e as forças do rei (James Purefoy) trazendo um reino de terror e submissão ao lugar.

Um ponto que soa positivo aqui é que o marketing surpreendentemente escondeu boa parte do tom do filme e algumas de suas melhores cenas. Dessa forma posso te dizer que se sua preocupação era se Adam ficaria muito tempo na Terra, isso dura pouco mais de 15 minutos na narrativa, antes de Teela (Camila Mendes) levar seu melhor amigo de volta ao lar.

Foto/Reprodução – Amazon MGM Studios / Sony Pictures

Sem revelar muito, “Mestres do Universo” tem sua própria personalidade, diálogos às vezes bobos, mas afiados, que acabam por ter sustentação diante da direção bastante consistente de Travis Knight, que já havia mostrado competência no emocionante “Bumblebee” de 2018, e que aqui traz peso e características marcantes para os personagens trabalhando tudo em torno das virtudes de seu protagonista.

E por falar nele, podemos dizer que Nicholas Galitzine é o grande destaque do filme, com um carisma e presença de tela potente, segurando tanto nas cenas de drama, como nas ótimas sequências de ação. Pessoalmente eu sempre achei o He-Man um personagem limitado e unidimensional no desenho, com apoio sempre no contraponto de se tornar um “fortão brucutu” para ter algo a oferecer à narrativa, sempre exaltando a hipermasculinidade e os corpos perfeitos.

Com Galitzine tudo melhora e o personagem ganha em profundidade, bom humor, sensibilidade e força, que acabam por servir como ponto principal do filme — que pode até soar meio brega ao dizer que “a força vem do interior” —, mas desmitifica aquela perfeição masculina do desenho, trazendo uma atualização para o personagem que ganha em inteligência e não apenas força. Porém não se engane, os músculos trincados, a tanguinha e o corpo definido estão lá captadas pela lentes do diretor e devem deixar a ala feminina e gay bastante satisfeita.

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É neste tipo de seguimento que o filme ganha muito seu público, por isso Jared Leto (Tron: Ares) no papel de Esqueleto é outro grande destaque, parece que estamos vendo o desenho, com todo sarcasmo e esculacho que vilão sabe oferecer, sem soar tosco, conseguindo ser caricato, bem-humorado e ainda assim um perigoso e cruel antagonista.

Vale mencionar também as atuações de Camila Mendes no papel de Teela, de longe a melhor personagem feminina do filme e que possui uma boa química com Nicholas. Idris Elba no papel de Mentor também é uma grata surpresa, sua relação com a Roboto é ótima.

Em termos gerais, o filme é daqueles blockbusters que fazem jus ao orçamento caro, com trilha sonora pulsante, resgatando o tema clássico do He-Man, misturado com rock do bom para dar agilidade às cenas de ação. Os efeitos são bons, para mim o Pacato está ótimo, a produção está caprichada, bem como as vestimentas e a cinematografia que às vezes é inchada sim, mas no geral é visualmente colorida sem medo de mostrar paletas variadas de cores.

Foto/Reprodução – Amazon MGM Studios / Sony Pictures

É importante abrir um parágrafo para dublagem brasileira do longa, que tem Garcia Jr dublando o He-Man como no desenho dos anos 80, confesso que estava com receio, porque no trailer parecia não se encaixar com a aparência jovem do Nicholas no filme, porém por incrível que pareça, durante as cenas, funciona e é bem-humorada, além de você se acostumar rápido.

Destaque para dublagem de Esqueleto, além de algumas piadas que acabam funcionando bastante principalmente para quem é brasileiro, trabalho consistente mesmo do elenco de dublagem e merece todos os louros, deixou a narrativa ainda melhor, afinal tem algumas vozes do desenho original que retornam.

O filme também é nostalgia pura, tem bastante easter eggs (que começam já no logo da MGM no começo do filme), alguns cameos inesperados e três cenas pós créditos, uma delas vai deixar o nerdão mais antigo de olhos marejados, com uma sequência que aponta o futuro da franquia e outra que volta aos tempos de criança para quem assistia He-Man nas décadas passadas.

Foto/Reprodução – Amazon MGM Studios / Sony Pictures

De uma forma geral, “Mestres do Universo” é daqueles filmes divertidos que sabem entreter sem subestimar a inteligência de quem assiste. Ao atualizar um clássico para o presente e demonstrar segurança em moldar este universo, Travis Knight mostra que tem mão boa para tocar grandes filmes e transformá-los em obras maravilhosas que marcam a audiência.

O longa é pura ação, com sequências rápidas que devem levar uma excitação genuína em pancadarias honestas, bem dirigidas com catarse rolando em diversos momentos conseguindo fazer He-Man o ícone que sempre foi (a cena “Eu tenho a força” arrepia muito) e os mestres do universo os heróis que crescemos assistindo, ganhando cada um seus momentos. Juntando nostalgia, coração e boas lições, “Mestres do Universo” é a aventura mais divertida do ano até o momento, merece ser assistido na tela grande com melhor som possível e a certeza de satisfação garantia. Longa vida aos Eternios.

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Joao Paulo

Sou Engenheiro Eletricista formado, mineiro, blogueiro nas folgas, super fã de filmes, séries e animes. Apaixonado por Marvel, simpatizante da DC, grande fã de super-heróis no geral. Eu vou ser o rei dos Piratas.

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