- por Luah Marquezini
Nós não estamos prontos para sentir luto. O ser humano simplesmente não foi projetado para lidar com esse tipo de dor. Percebi isso depois de uma sequência curiosa de escolhas cinematográficas. Em poucos dias, assisti a histórias sobre o luto por um animal de estimação, por pais, avós, amigos, irmãos… até mesmo por um polvo.
No fim, todas chegavam ao mesmo lugar: nós simplesmente não sabemos lidar com a ausência de quem amamos.
Antes de falar sobre o filme, acho que vale dar um pouco de contexto sobre uma história pessoal. Perdi meus avós não faz muito tempo. Ou pelo menos acho que não faz. O luto tem esse poder estranho de bagunçar a linha de acontecimentos. Às vezes parece que foi ontem; outras, parece que foi há uma vida inteira atrás. Só sei que ainda dói. E se me permitem, vou deixar aqui uma foto fofa do amor desses dois pra que todo mundo saiba que eles aqui estiveram. Ou pelo menos pra quem viaja com a gente nas nossas histórias os veja.

E talvez essa seja a parte mais curiosa de tudo: eles continuam aqui. Eu os encontro nas pequenas coisas. Nas escolhas que faço, nas comidas que preparo, no meu jeito de andar, no reflexo do espelho, na forma como falo e até na pessoa que tento ser todos os dias.
Sim, às vezes eu ainda choro. Mas, como qualquer pessoa que já passou pelo luto sabe, existem dias muito bons. E existem dias em que as lágrimas aparecem sem aviso e a saudade resolve ocupar todos os espaços. Outra coisa que tenho aprendido nesse processo é que o luto não marca horário. Ele simplesmente chega. Pode ser no mercado, ouvindo uma música, vendo uma receita ou assistindo a um filme.
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Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Dias atrás, renovei minha assinatura da Netflix e uma sinopse chamou minha atenção. O filme se chama “Mensagens para Isabelle”.

A história acompanha Jill, uma jovem que tenta lidar com a morte da irmã, Isabelle. Como forma de enfrentar a dor, ela passa a deixar mensagens de voz no antigo número de telefone da irmã, contando sobre sua rotina, seus medos, suas frustrações e os momentos engraçados da vida.
Na hora eu me reconheci. Depois que meu avô partiu, passei meses escrevendo e-mails para ele. Como se, por algum milagre, ele pudesse responder. E, além disso, minha irmã é a pessoa mais importante da minha vida. Então bastaram poucas linhas da sinopse para eu sentir que precisava assistir àquele filme.
O que Jill não sabe é que o número foi reatribuído a um novo dono. Quem passa a receber todas aquelas mensagens é Wes, um corretor de imóveis reservado que, aos poucos, se vê completamente envolvido pelas histórias daquela desconhecida. Antes mesmo de se conhecerem pessoalmente, nasce entre os dois uma conexão improvável, construída a partir da vulnerabilidade, da empatia e da vontade de continuar vivendo.

Só que existe uma coisa que a sinopse não me contou. “Mensagens para Isabelle” não é de verdade um filme sobre romance. É um filme sobre aprender a sobreviver ao luto. Sobre entender que seguir em frente não significa esquecer. Sobre perceber que as pessoas certas podem não apagar a dor, mas conseguem fazer com que ela deixe de pesar tanto. E talvez seja exatamente isso que o amor faça, em qualquer uma das suas formas.
Eu chorei. Muito. Daquelas lágrimas que vêm acompanhadas de soluços, em pelo menos três momentos diferentes do filme. E, ainda assim, é uma comédia.
A Jill é uma protagonista absurdamente carismática. Engraçada, espontânea, cheia de defeitos e extremamente humana. Ela faz a gente rir quando menos espera e, segundos depois, quebra nosso coração sem fazer esforço nenhum. Porque claramente o sofrimento dela é o meu também. Talvez seja justamente por isso que esse filme tenha me atravessado tanto. Porque ele entende uma coisa que, às vezes, a gente esquece: o luto não é o oposto da felicidade. É perfeitamente possível rir e sentir saudade no mesmo dia.
Espero que esse filme seja o que você precisava pra sentir seu coração de novo, sentir que a vida só é do jeitinho que é pela influência dessa pessoa querida que partiu.
Talvez esse texto seja só uma desculpa pra escrever o quanto eu sinto falta dos meus avós. Mas também é para mostrar a quem também está se sentindo apertado pelo luto que você não está sozinho. Tudo bem chorar, tudo bem não querer sair hoje. Mas viver é o que eles queriam que eu fizesse, então assim farei.
Obrigada por quem chegou até aqui nesse desabafo com cara de review. E seguem algumas indicações nesse mesmo tema que apesar de doer me curaram de alguma forma.
Recomendações que vão fazer você se sentir menos sozinho nessa jornada:
Eleanor The Greatest (HBO+)

Após perder sua melhor amiga de décadas, Eleanor em seus 94 anos de existência se vê obrigada a recomeçar em uma cidade completamente diferente. Entre o peso da solidão e a dificuldade de aceitar que a vida mudou para sempre, ela acaba criando uma amizade improvável que a faz revisitar o próprio passado e confrontar verdades que evitou por muito tempo. É um filme sobre envelhecer, aprender a viver depois da perda e descobrir que nunca é tarde para encontrar novos motivos para seguir em frente.
Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (Netflix)

O que parecia ser apenas a história de uma senhora que trabalha limpando um aquário acaba se transformando em um dos retratos mais sensíveis sobre luto, solidão e segundas chances. Ainda tentando lidar com a perda do filho, ela encontra um companheiro improvável: um polvo extremamente inteligente e curioso, que passa a observar — e, de certa forma, interferir — na vida das pessoas ao seu redor. Entre mistérios, encontros inesperados e muito humor, a história mostra que a cura nem sempre vem da forma que imaginamos e que, às vezes, os laços mais transformadores surgem onde menos esperamos.
Up – Altas Aventuras (Disney+)

Muito antes de ser uma aventura cheia de balões coloridos, Up conta uma das histórias de amor e luto mais bonitas da animação. Carl é um homem que vive preso às lembranças da esposa e acredita que seu maior sonho ficou para trás junto com ela. Quando uma viagem inesperada muda completamente seus planos, ele descobre que seguir em frente não significa deixar quem amamos para trás, mas encontrar novas formas de carregar essas pessoas conosco. Um filme que emociona crianças e adultos por motivos completamente diferentes.
Ponte para Terabítia (Prime Video)

Jess e Leslie encontram um no outro o refúgio que faltava em suas vidas. Juntos, criam Terabítia, um reino imaginário onde podem escapar dos medos, das inseguranças e dos problemas da vida real. O que começa como uma aventura cheia de fantasia se transforma em uma história profundamente emocionante sobre amizade, crescimento e a maneira como o amor e as lembranças podem nos ajudar a enfrentar as perdas mais difíceis. É um daqueles filmes que permanecem com você muito tempo depois dos créditos finais.
Talvez o luto nunca vá embora por completo. Mas, aos poucos, ele aprende a dividir espaço com a vida. E, quem sabe, essa seja a maior mensagem de Mensagens para Isabelle. E de todos esses que indiquei também.
Se você chegou até aqui, espero que alguma dessas histórias encontre um lugar no seu coração, assim como encontrou no meu.
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Luah Marquezini
Oi, eu sou a Luah! Galaxy Defender desde criancinha e ARMY. Por aqui escrevo sobre KPOP mas também adoro meter meu bedelho nos assuntos pop com glitter. Também sou tatuadora e sei um monte sobre várias coisas aleatórias, conhecimento nunca é demais :)
