- por Dani Goldenberg
Eu confesso que não tinha certeza se Todo Mundo em Pânico conseguiria funcionar em 2026. Tem alguma coisa nos filmes estilo besteirol que combina demais com os anos 2000, e ao mesmo tempo em que não teria como não se atualizar, eu não sabia como essa atualização seria feita (e recebida).
Dito isso, no sexto filme da franquia, eu ri quase que o tempo inteiro. Primeiro que eles já começaram acertando antes mesmo de o longa sair, com a divulgação que incluía um site onde você pedia pro Ghost Face fazer qualquer coisa. Se você não viu, corre aqui pra pedir pra ele dançar a Macarena, fazer 15 flexões ou tentar posições de ioga.
Quanto ao filme, o ritmo das piadas garante que alguma delas te faça rir. É praticamente uma atrás da outra, tudo se desdobrando de um jeito absurdo característico de Todo Mundo em Pânico. Apesar de eles fazerem piada com todo mundo (e talvez, justamente por isso), acho que a grande graça no filme é que, mesmo quando a piada pega no espectador, eles têm um jeitinho especial de fazer sentir que eles estão rindo com a gente, e não da gente.

Parece que eles colocam todo mundo no mesmo barco e decidem rir de tudo, inclusive deles mesmos. Cindy (Anna Faris) e Brenda (Regina Hall) continuam tendo uma química absurda juntas. Agora como mães completamente disfuncionais, elas continuam entregando exatamente o tipo de caos que a gente queria ver.
Também gostei muito de como o filme trouxe também os filhos delas e todo o novo círculo social da nova geração. Não ficou parecendo uma tentativa desesperada de modernizar a franquia, o que foi uma decisão inteligente e bem aproveitada, inclusive, como piada, em vários momentos.
A volta dos irmãos Wayans era uma das coisas mais aguardadas pelos fãs e não decepciona. Não só porque ajudaram a construir a identidade da franquia lá atrás, mas porque os caras têm um timing de comédia tão bom, que você quase esquece que existiram (três!) filmes sem eles. E bastou Ray (Shawn Wayans) e Shorty (Marlon Wayans) aparecerem para eu lembrar exatamente por que tanta gente sentiu falta deles (sim, estou falando de mim mesma, amo o Ray).
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As referências a outras obras também funcionaram muito bem. E tem de tudo, viu? Wandinha, Round 6, A Substância, John Wick (talvez uma das que me pegou mais deprevenida), M3GAN e nem Guerreiras do K-Pop escapou. E algumas outras que eu já esqueci, porque a quantidade é sinceramente ridícula.
Sobre ser o sexto filme de uma franquia que agora tem 26 anos: apesar de nostalgia estar lá, com cenas icônicas “reaproveitadas”, referências que os fãs vão pegar e personagens que já amamos, o filme não depende só disso. Inclusive, tem um momento específico que ficou quase como um recadinho especialmente para o público brasileiro. Quando você assistir, vai saber exatamente de qual cena eu estou falando.

A sensação que ficou pra mim foi que, no fim, não tentaram transformar o filme em algo sofisticado ou extremamente adaptado. Só se mantiveram no que eles sempre foram bons: fazer as pessoas rirem.
Então, se você estava se perguntando se Todo Mundo em Pânico ainda tinha espaço em 2026, a resposta é sim. E, no que depender de mim, que venha um próximo filme. Então aproveita pra assistir enquanto ainda está em cartaz!
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Dani Goldenberg
Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.
