Review | Dia D: “filmaço” é pouco pra descrever

Review | Dia D: “filmaço” é pouco pra descrever

“Dia D” veio pra justificar toda a expectativa que estava em cima dele, mesmo. É um filme deslumbrante, cativante e que te faz pensar. Quando acabou, eu precisei de uns minutinhos pra digerir tudo. E pelo jeito, não fui a única, porque saindo da cabine, esse foi o comentário que eu mais ouvi ser feito.

Eu já sou mais propensa a acreditar na existência de vida alienígena, mas acho que, se eu não fosse, teria saído convencida dali. O que Steven Spielberg faz nas telas ainda é de cair o queixo. E, apesar das quase 2h30 de filme, ficou um gostinho de quero mais.

Foto/Reprodução: Dia D.

No filme, um pequeno grupo de funcionários rouba uma quantidade significativa de informação de uma organização secreta. Informações e provas de vida extraterrestre. De uma empresa cujo objetivo é continuar escondendo e restringindo essas informações. E essa galerinha resolve que não é justo que só algumas pessoas detenham esse conhecimento, então o objetivo é espalhar essa verdade pro mundo inteiro.

A grande pergunta é “como os seres humanos reagiriam ao saber que não estamos sozinhos?“, e, por consequência, em como isso mudaria a forma que nos enxergamos dentro do universo. E, apesar de todo o objetivo girar em torno dos ETs, o filme vai muito além. De forma muito caprichada, também temos como temas centrais a nossa própria humanidade, a empatia e (até mesmo) a fé.

Algo que eu achei extremamente inteligente foi que aqui, não temos a ciência e a fé em lados opostos. Elas coexistem, dialogam e se complementam de forma bastante respeitosa, e gostei dos questionamentos levantados durante essas trocas tanto quanto (se não mais) do que das cenas de ação, perseguição e caos.

Foto/Reprodução: Dia D.

Quanto à experiência cinematográfica, “Dia D” é um dos melhores do ano. O deslumbramento causado pelo filme me remeteu à primeira vez vendo “Jurassic Park”: uma sensação meio maluca de estar vendo algo incrível, inédito e meio surreal. As sequências são construídas em um crescente de tensão, algumas das cenas de ação vão te deixar sentado na pontinha da cadeira e o elenco ficou absolutamente perfeito.

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E aqui a gente é obrigado a falar da Emily Blunt como Margaret. O elenco todo é muito bom mesmo, então não diria que ela carrega o filme sozinha, mas com certeza, o destaque é dela. A naturalidade com a qual ela vive as cenas mais insanas (tipo trocar a língua que está falando do nada) e as mudanças de expressão, a confusão de ter a vida virada de cabeça pra baixo em 24h, as expressões, absolutamente tudo na atuação dela foi magnífico.

O filme quase conversa com “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”. Não é uma continuação, mas fiquei com a sensação de que Spielberg revisitou propositalmente ideias que o acompanham há décadas. Como se estivesse retornando para fazer novas perguntas e, talvez, responder algumas das anteriores.

“Dia D” é emocionante, reflexivo, empolgante e visualmente impressionante. É ficção científica daquelas que não usa o extraordinário apenas como espetáculo, mas como ferramenta para falar sobre quem somos, no que acreditamos e como lidamos com o desconhecido.

Quando as luzes da sala acenderam, eu precisei de um tempo pra conseguir voltar à realidade. Então “filmaço” parece que nem faz jus. Vamos precisar de uma palavra nova. O filme estreia nos cinemas nessa quinta, 11/06.

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Dani Goldenberg

Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.

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