REVIEW | Homem-Aranha: Um Novo Dia

REVIEW | Homem-Aranha: Um Novo Dia

Tivemos a oportunidade de assistir à sessão de imprensa de Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day), e o sentimento ao sair da sala de cinema é claro: o Amigão da Vizinhança está de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

Longe das viagens multiversais ou da escala cósmica que marcaram as últimas produções da Marvel, o novo longa diminui o ritmo. Trata-se de uma história muito mais focada na identidade de Peter Parker, em seus conflitos pessoais e no peso das responsabilidades.

O Amigão da Vizinhança e a tecnologia de garagem

O grande acerto da produção está no seu ambiente. O filme resgata aquele cotidiano pulsante de Nova York, com cenas “simples” do dia a dia da cidade que constroem a essência clássica do personagem. A ambientação e a dinâmica com as ruas lembram bastante a imersão alcançada no aclamado game Marvel’s Spider-Man (PS4), apresentando um Peter mais “humano” e conectado ao seu entorno.

Outro ponto de alívio para os fãs das HQs é o retorno da tecnologia autoral de Peter Parker. Esqueça os apetrechos milionários ou trajes computadorizados herdados das Indústrias Stark. Aqui, Peter volta a ser o jovem genial que desenvolve seus próprios recursos na raça, improvisando soluções e valorizando a inteligência que sempre o definiu nos quadrinhos — amém!

Foto/Reprodução: Sony Pictures

Aranha vs Peter: Conflito e evolução

Um dos aspectos mais interessantes da trama é a crise existencial do protagonista. Por estar se “apagando” do mundo, vivendo em completo isolamento e acumulando solidão, o lado humano de Peter entra em colapso. Com isso, o seu lado “aranha” começa a se sobressair, gerando um conflito interno que impulsiona uma mutação e a evolução de suas habilidades físicas.

Mas nada fora de contexto, porque isso tem forte respaldo nas HQs. Arcos renomados (como O Outro ou A Queda de Murdock/Disassembled) já exploraram justamente como certos momentos de trauma e perda da humanidade fazem com que o lado aracnídeo de Peter assuma o controle, desencadeando transformações biológicas e o aprimoramento de seus poderes instintivos. O filme traz essa questão psicológica e física de forma muito orgânica.

Participações questionáveis

Em termos de escala, o longa não possui muitas cenas de batalha. As sequências de luta seguem a cartilha costumeira das acrobacias do Aranha, sem grandes inovações, exceto por dois ou três momentos isolados de maior tensão.

Onde o roteiro tropeça é na gestão dos seus coadjuvantes. Figuras como a Yelena parecem inseridas apenas para cumprir tabela no MCU, e a presença do Justiceiro é — sinceramente — desnecessária. Entre trazer um Frank Castle em uma versão um tanto emotiva que não encaixa no personagem, destoando da postura fria e implacável que caracteriza o personagem, ou deixá-lo de fora, era melhor ter mantido o Justiceiro apenas na série dele mesmo.

Por outro lado, Hulk ainda tem uma participação funcional no filme e finalmente também vemos uns minutos do personagem mais “raiz” e intimidador, distante da figura puramente cômica das produções recentes. Aqui o laço entre Hulk e Peter funciona como é nas HQs, onde o Peter é uma das raríssimas pessoas que o Hulk respeita e considera um amigo verdadeiro, justamente por enxergá-lo com empatia.

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Vale a pena?

Os fãs mais atentos ainda vão se deliciar com referências de cenas marcantes tiradas dos quadrinhos, tanto do Spidey quanto de outras histórias da Marvel — incluindo uma cena icônica do Justiceiro carregando o Homem-Aranha gravemente ferido nos braços. E, como de costume nas produções da Marvel, há uma cena pós-créditos também.

O filme é bem longo. Com quase duas horas e meia e segurando o público até o final dos créditos, se prepare para correr ao banheiro durante a sessão, ou então evite consumir muito líquido. No entanto, a história é muito boa e não deixa os expectadores cansados, pelo contrário, prende bastante a atenção. Não recomendo o filme para crianças por dois motivos: a extensão dele somada ao tom mais maduro da narrativa, talvez seja cansativo para os pequenos.

Homem-Aranha: Um Novo Dia não é um filme extraordinário ou revolucionário para o gênero de super-heróis, mas é um ótimo filme do Homem-Aranha. Tom Holland entrega mais uma performance madura e consolida com perfeição essa nova fase do herói. É uma obra essencial para quem ama a essência do personagem, para os fãs do cabeça-de-teia e que certamente vale o ingresso na estreia e chega com força para aquecer o coração do fandom.

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Miguel Felipe

Geek raiz, analista de sistemas, jornalista por paixão e artesão nas horas vagas. Especialmente viciado em café, livros, tecnologia, histórias em quadrinhos, videogames e ficção científica. De cabelo bagunçado, sempre com fones nos ouvidos, um livro na cara e All Star nos pés.

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