- por Nathalia Souza
Sobrenatural foi uma das primeiras franquias de terror de que eu realmente gostei. Então, sim, ela tem aquele gostinho de infância — entreguei minha idade aqui hahaha. Quando fui para a pré-estreia de Sobrenatural: Agora Entre Nós, já estava preparada para sair do cinema um pouco traumatizada. O problema é que eu não estava preparada para o quanto o filme conseguiria mexer com uma fobia bem específica minha.
A história começa pela ótica infantil. Conhecemos Gemma ainda criança, vivendo praticamente sozinha dentro de casa: faz suas tarefas, come sozinha, tira notas 10, ganha figurinhas e até cola uma delas na lanterna. Enquanto isso, sua mãe aparece cada vez mais pálida, com olheiras, cansada e irritada. Até que Gemma presencia o que parece ser o suicídio da própria mãe.
Temos então um salto temporal. Gemma (Amelia Eve) cresceu, virou dentista, constituiu uma família e… continua morando na mesma casa.
Confesso que, nesse momento, fiquei meio chocada. Depois de um trauma daquele tamanho, como alguém consegue continuar vivendo exatamente no lugar onde tudo aconteceu? Mas aí vem o choque de realidade: a vida não é um morango.
Claro que seria muito mais confortável imaginar que Gemma simplesmente venderia a casa e começaria do zero. Só que, pensando na vida real, existe algo chamado mercado imobiliário — e ele não costuma colaborar com grandes recomeços. Dependendo do que aconteceu na casa, inclusive, talvez fosse difícil vender o imóvel pelo valor necessário para comprar outro no mesmo padrão. Então, por mais absurdo que pareça em um filme de terror, a situação da Gemma talvez seja uma das coisas mais realistas de toda a história.
Ela segue sua vida ao lado da Maya (Island Austin), até que, obviamente, as coisas começam a ficar estranhas. Pesadelos, aparições e situações que definitivamente não parecem normais começam a tomar conta da rotina de Gemma. E o pior: ela passa a ficar cada vez mais irritada, paranoica e exausta por não conseguir dormir direito.
Nessa parte, eu me identifiquei profundamente. Eu, sem dormir direito, não sei nem o meu nome, então imaginem começar a ter fenômenos sobrenaturais no meio disso.
E aí temos o retorno de uma das personagens mais queridas da franquia: ELISE RAINIER (Lin Shaye). Ela aparece para salvar o couro da Gemma — pelo menos temporariamente. Agora, o objetivo é descobrir como prender Cyrus, o principal antagonista.
E precisamos falar sobre Cyrus.
Porque, sinceramente, alguém me diga que eu não fui a única pessoa que olhou para ele e pensou imediatamente no Vessel, do Sleep Token.


(sinto muitíssimo pela foto do Cyrus, infelizmente não temos fotos dele)
O homem é cuspido e escarrado o vocalista. Sam Spruell certamente viu Alkaline umas mil vezes antes de gravar esse filme, porque a movimentação corporal dele é MUITO parecida. Fora que ele também é inglês. Coincidência? Talvez. Eu, particularmente, escolhi acreditar na teoria que eu mesma inventei. Mas, brincadeiras à parte, Sobrenatural: Agora Entre Nós conseguiu fazer algo que eu valorizo muito em filmes de terror: me causar medo de verdade.
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Eu sou uma pessoa relativamente tranquila com violência, sangue e perseguições. Pode colocar uma criatura correndo atrás de mim, alguém sendo brutalmente assassinado e litros de sangue voando que eu provavelmente vou estar assistindo tranquilamente. Agora, coloque um espaço apertado, pouca ventilação e a sensação de que não existe ar suficiente.
Aí acabou.
Como sou claustrofóbica, houve uma sequência específica em que eu quase desmaiei na cadeira do cinema. Foi um dos poucos momentos em que eu realmente pensei: “não, obrigada, pode parar por aqui”. E talvez esse seja um dos motivos pelos quais gostei tanto do filme. Ele não depende apenas dos sustos para funcionar. Ele consegue brincar com diferentes tipos de medo e, principalmente, criar situações desconfortáveis de verdade.
Também gostei bastante da forma como os personagens se comportam ao longo da história. Em muitos filmes de terror, você olha para a tela e pensa: “meu Deus, por que você fez isso?”. Aqui, pelo menos na maior parte do tempo, eu conseguia entender as escolhas deles. Agora, se essas escolhas são inteligentes… aí já não sei dizer. Hahaha.
Talvez esse seja justamente o momento em que vocês podem me julgar, porque provavelmente eu faria várias das mesmas coisas no lugar deles. O que, considerando o meu histórico de escolher entrar em lugares obviamente amaldiçoados em filmes de terror, talvez não seja exatamente um elogio à minha inteligência.
No fim, gostei bastante de Sobrenatural: Agora Entre Nós. O filme conseguiu entregar uma mistura de nostalgia, tensão e medo genuíno, além de trazer de volta elementos importantes da franquia sem parecer apenas uma repetição do que já vimos. Para quem já acompanha Sobrenatural, acho que existe um gostinho especial de reencontrar esse universo. Para quem gosta de terror e quer passar um pouco de raiva, tensão e falta de ar no cinema, também recomendo. Só não me coloquem em nenhum lugar apertado. Isso eu já deixei bem claro.
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Nathalia Souza
Artista, tradutora, animadora, programadora e ainda com formação em mecâtronica e marketing, sou uma menina que não sabe bem o que quer da vida. Emo de carteirinha, vivo indo em shows e eventos para aumentar minha coleção de memórias. Vivo no mundo da lua, e talvez seja por isso que me considero astronauta.
