- por Joao Paulo
Existe uma “maldição” que ronda adaptações de vídeo game desde muito tempo. Eu como fã assíduo de cinema e simpatizante de games, sempre esperei o melhor das adaptações e sempre sai com gosto meio amargo da maioria delas. Escrevendo este texto, posso dizer com total segurança, que para uma das franquias mais amadas de jogos, essa “maldição” acabou, o novo filme de “Resident Evil (2026)” estreia no dia 18 de setembro nos cinemas brasileiros é tudo isso e muito mais.
Ao sair da sessão em IMAX na pré-estreia da Sony Pictures Brasil aqui em São Paulo, estava praticamente em êxtase, sala lotada, muitas reações diversas, porém para mim, a certeza que o filme dirigido por Zach Cregger (A Hora do Mal) era de que a franquia sempre precisou de uma pegada assim, “camper” (aleatória), sem rodeios ou amarras, direta, com um suspense e terror crescente que só para quando os créditos começam a rolar.
Este novo longa pode ser definido como um thriller de horror de sobrevivência que acompanha um entregador médico chamado Bryan (Austin Abrams) que fica preso numa nevasca e precisa levar uma encomenda para Racoon City e acaba se deparando com um surto viral.

O que você precisa saber aqui é que “Resident Evil (2026)” é uma narrativa que vai acelerando e aumentando a tensão à medida que o protagonista vai passando de um ambiente para outro com cada cena servindo de quebra cabeça para exercício insano de tensão que se transforma num terror de alta intensidade dando a sensação de estarmos imersos em um verdadeiro video game.
A verdade é que Zach Cregger foi a escolha mais acertada para finalmente dar uma adaptação digna para uma franquia que carecia de uma mente criativa que realmente entendesse a essência dos jogos de “Resident Evil” e aplica-se da melhor forma possível entregando uma direção primorosa, elevado por uma edição inteligente, com enquadramentos que replicam exatamente o que fez da série um sucesso de jogabilidade.
Então espere cenas inusitadas em primeira pessoa, tomadas criativas de uma câmera que acompanha o protagonista de perto saindo de um ponto A para chegar num ponto B, que as vezes intercala bem ângulos que só acentuam o suspense deixando tudo imprevisível a ponto de gerar ótimos sustos e aflição a quem assiste (o medo de cômodos vazios, floresta sombrias e becos escuros finalmente voltou).
Isto só fica melhor, porque a trilha sonora acompanha muito as transições entre ambientes de forma ritmada acelerando e diminuindo o passo, seja no meio de uma estrada com neve caindo, seja num cenário bucólico em uma fazenda inóspita, seja nas ruas de Racoon City com todas essas sequências com um olhar único e uma edição de som espetacular que empolga quem assiste dando fôlego a um filme que simplesmente não para um segundo.

E por ser desta forma, o filme talvez se perca quando precisa buscar um melhor equilíbrio entre seu lado terror e trash, principalmente na segunda metade, onde o caos realmente toma conta fazendo com que Cregger quase perca o controle diante do espetáculo, mas felizmente a narrativa nunca perde a constância do quer contar, trazendo zumbis, monstros e outras criaturas em profusão mostrando também que mesmo com um lado mais contido, a franquia ainda carrega seu lado blockbuster para atiçar a audiência.
O fato é que na maior parte do tempo, temos o ator Austin Abrams (A Hora do Mal) carregando o filme com seu carisma e boca suja durante 90 minutos de puro terror com um grau de violência que remete aos jogos, mas também a filmes de terror B da melhor qualidade. Inclusive é legal ver que para quem jogou as versões antigas de Resident Evil (principalmente Resident Evil 2, que acho o mais difícil de passar de fases), este aqui vai agradar bastante.
Temos sequências que claramente poderiam ter saído do jogo, com o protagonista tentando achar armas, tentando maneiras diferentes de se informar, ou matar zumbis, achando itens aleatórios e criaturas estranhas em lugares abandonados principalmente quando chega nos arredores de Racoon City, lembrando muito também os jogos atuais, isso tudo com a câmera seguindo de perto sempre dando a sensação que o susto pode vir na cena seguinte.

É com este tipo de vitalidade que mostra porque a obra impressiona, mesmo que perca um pouco do elemento surpresa principalmente no terceiro ato, que talvez seja o ponto que irá mais dividir opiniões, digo isto, porque eu mesmo fiquei divido inicialmente, só depois consegui assimilar o quão ousado foi o filme terminar da forma que terminou.
Por tudo que foi comentado, “Resident Evil (2026)” é daqueles filmes que se você for fã, ou não, merece ser assistido (na maior e melhor tela possível), não só porque é bem dirigido e bem atuado, mas porque é um ótimo filme de terror, talvez um dos melhores do ano que traz finalmente uma adaptação decente para um game que sempre mereceu algo assistível em tela que fizesse jus ao material original. Senão é perfeito, ao menos a aura dos jogos estão ali. Pessoalmente consegui atestar que foi um thriller violento, caótico, gore, extremamente bem humorado (sem forçar) e perversamente sádico em uma produção que vai fazer barulho não por ousar, mas por entregar entretenimento de primeira que na minha humilde opinião torna esta uma das produções mais bacanas de 2026. Esteja preparado.
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Joao Paulo
Sou Engenheiro Eletricista formado, mineiro, blogueiro nas folgas, super fã de filmes, séries e animes. Apaixonado por Marvel, simpatizante da DC, grande fã de super-heróis no geral. Eu vou ser o rei dos Piratas.
