Review | Kraken: Terror no Mar

Vamos começar alinhando expectativas: Kraken é um filme ok. Nada demais, mas também não é ruim. É o tipo de produção que você assiste descompromissado e termina pensando “é, foi isso aí mesmo”. Acho que o segredo foi ver sem esperar muita coisa mesmo.

A história se passa durante a Guerra Fria, quando um submarino russo desaparece no mar. O comandante Viktor Voronin (Aleksandr Petrov) lidera uma missão para encontrar a embarcação e, principalmente, o irmão mais velho, Aleksandr (Viktor Dobronravov). Antes de mais nada, queria dizer que esse set de filmagem deve ter sido uma confusão eterna, com um Aleksandr interpretando um Viktor e um Viktor interpretando um Aleksandr. Achei engraçado, imagina a cabeça desse elenco? Todo mundo com crise de identidade no final.

Voltando ao filme, o pessoal da marinha chega à conclusão de que ninguém melhor que o irmão do cara pra tentar resgatar ele, então deixam essa missão pro Viktor (o personagem, não o ator. Até o fim dessa review, eles vão me deixar maluca também). A ideia é descobrir o que aconteceu, onde o submarino foi parar e, se tudo der super certo, resgatar a galera da tripulação do submarino desaparecido.

Nossa, mas que tripulação importante, né? Pior que não. Os comandantes querem mesmo é saber de uma arma super poderosa que está no submarino e não podem correr o risco de que ela caia em mãos erradas.

Enquanto procuram pistas do que pode ter acontecido com o submarino desaparecido, eles esbarram – e resgatam – dois cientistas: Julia Braun (Diana Pozharskaya), e Oskar (Anton Rival), que ficaram perdidos no meio do nada depois de o acampamento de pesquisa deles afundar. Entre deixar os dois para a morte certa pelo frio e falta de recursos e ganhar 2 tripulantes bônus, eles acabam ficando com a opção de gente decente.

Foto/Reprodução: Kraken: Terror no Mar.

Parece bem tranquilo, até. Mas então eles descobrem que tem um problema bem grande no meio do caminho: uma criatura gigantesca que não tá muito feliz de ser incomodada do seu descanso e ataca tudo e todos que chegarem perto demais pro gosto dela (sei lá, até que ela nem me parece tão errada, não?).

Quanto mais perto eles chegam de descobrir o que aconteceu, mais perigosa a situação fica. OKraken também começa a atacar a segunda embarcação, colocando todo mundo em uma missão de sobrevivência. Ou seja: “resgatem os cientistas (pontos bônus), resgatem a si mesmos, resgatem a arma muito poderosa e aí, ainda resgatem a outra galera. Boa sorte.”

Eu particularmente gostei bastante do fato de o filme se passar quase todo debaixo d’água. Me deu uma certa claustrofobia em acompanhar aquelas pessoas presas dentro de um submarino, cercadas por um oceano que não só é aquela imagem que a gente já está acostumado, de imensidão azul, mas é também uma boa lembrança de que a gente ainda conhece muito pouco sobre a área profunda do mar que te dá um elemento extra de “socorro, Deus”.

Achei que Kraken tem um ritmo lento, e não necessariamente porque demora para apresentar a história, mas porque passa muito tempo sem que algo realmente significativo ou empolgante aconteça. O filme constrói bastante contexto, explica as situações e deixa tudo bem amarradinho, mas boa parte dessas informações parece meio tanto faz. Não me gerou aquela empolgação de ficar com os olhos grudados na tela, na expectativa do que estava por vir.

Isso pesa ainda mais porque a história é bastante previsível. Durante boa parte do filme, Viktor está procurando o submarino do irmão. E é óbvio que ele vai encontrar a embarcação, assim como é óbvio que algumas pessoas estarão vivas, porque, caso contrário, toda aquela busca seria um tanto sem sentido. A graça não está tanto em descobrir o que vai acontecer, mas em descobrir como aquilo vai acontecer.

Então, mesmo sabendo para onde a história estava indo, eu continuei assistindo. Não fiquei exatamente empolgada, mas também não perdi o interesse. Acho que esse é o ponto: Kraken consegue manter a atenção, mas depende bastante do seu humor do dia. Se você estiver procurando algo mais movimentado, provavelmente vai achar parado demais.

Leia também:

O kraken é um polvo gigantesco, os efeitos especiais são bons e eu gostei que ele tenha aparecido várias vezes. A vida marinha também aparece com alguma frequência, e as cenas são bonitas de ver. Não ficou aquele polvo gigante tosco, sabe? Achei bastante realista. Quando estamos vendo o submarino por dentro, temos a mesma visão dos personagens, que são aquelas telas de radar. Isso ajudou a criar tensão em alguns momentos, e achei o filme bastante convincente nesse sentido. Me deu uma vontade bem grande de nunca entrar em um submarino, obrigada. Eu passo.

A direção também não é algo que tenha me chamado especialmente a atenção. Não tenho conhecimento suficiente sobre cinema russo para fazer uma comparação mais ampla, mas, dentro do que o filme apresenta, tudo parece bastante tradicional. A trilha sonora também não ficou na minha memória, e não teve nenhuma cena específica que eu tenha terminado pensando “caramba, isso foi muito bom”.

Foto/Reprodução: Kraken: Terror no Mar.

Os personagens seguem essa mesma linha meio morna. Viktor é um protagonista sério, mas carismático (o Aleksandr Petrov me lembrou bastante o Antony Starr). Julia é aquela cientista que consegue ser um pouco irritante em alguns momentos, mas movimenta o filme. O segundo em comando, Vice-Almirante Sokolov (Nikolay Kozak), é um senhorzinho teimoso que toma decisões questionáveis e parece estar sempre prestes a fazer alguma besteira. Eu fiquei sem paciência pra esse homem em vários momentos.

No fundo, Kraken é uma aventura de sobrevivência que também fala sobre família. Viktor e Aleksandr não parecem ter uma relação particularmente fácil, mas, mesmo assim, Viktor se recusa a deixar o irmão morrer. É uma motivação simples, mas funciona bem para conduzir a história.

O filme também explica bem o que é o Kraken, onde ele vive e até apresenta a “casa” da criatura, onde ela descansa e guarda seus souvenirs — navios, submarinos e outras coisas que acabaram afundando no oceano. É uma ideia interessante, que pra mim, adicionou uma camada de tensão no momento certo. No fim, é um filme para assistir sem esperar muito. Ele tem um ritmo lento, é previsível e não entrega grandes surpresas, mas consegue funcionar como uma aventura submarina simples e bem organizada.

Não é para todo mundo. Mas, se você gosta de filmes sobre criaturas gigantes, mistérios marítimos ou histórias que se passam em submarinos, talvez valha dar uma chance. Você provavelmente vai saber o que vai acontecer. A graça é descobrir como.

Gostou? Comente aqui e siga a gente no instagram

Dani Goldenberg

Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao Topo