Review | Capy Castaway

Existem histórias que se apresentam e se destacam pelo contraste. Por trás de uma aparência e proposta inicial simples, carregam temas mais profundos do que se espera. Esse é o caso de Capy Castaway.

O cozy game lançado em agosto de 2026 ousa em tocar em assuntos sensíveis e morais. Utilizando de personagens carismáticos e estética fofa, convida o jogador a tomar decisões delicadas e refletir sobre a noção de lar e pertencimento. A Kitten Cup Studio desenvolveu o jogo, disponível na Steam, e a Big Blue Sky Games o publicou.

Foto/Reprodução: Capy Castway.

Narrativa, interações e gameplay

A história de Capy Castaway acompanha um filhote de capivara que acorda numa ilha desconhecida após uma tempestade que destruiu o zoológico onde morava. Ela conhece Corvi, um corvo tagarela e debochado que se torna uma espécie de guia nessa jornada. Uma coisa que eu gostei bastante é que existe um momento onde você pode trocar o nome da sua capivara. São nomes pré-selecionados, mas mesmo assim, eu consegui colocar um pouco de mim na pequena Capy… ou melhor… na pequena Tofu! (Lembrando que eu sou vegana, eu amei forte esse nome).

Foto/Reprodução: Capy Castway.

O objetivo é ir até o topo do farol dessa ilha e encontrar o Dragão. Segundo Corvi, ele é uma criatura capaz de conceder desejos e que pode nos ajudar a encontrar o caminho de casa. Ao longo da gameplay, temos contato com diversos temas, como o luto e traumas causados pela tragédia. Dessa forma, quem está jogando precisa lidar com algumas escolhas morais que vão influenciar o destino dos animais que pedem ajuda para a dupla.

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Esse é mais um ponto que me chamou bastante a atenção. Os encontros com esses NPCs não tem uma resposta certa ou errada. Mas cabe a quem está no comando mediar o relacionamento desgastado entre Benny e Onyx, ou decidir como ajudar os três filhotes de cervo a aceitarem a morte de seu pai.

Foto/Reprodução: Capy Castway.

Quanto a jogabilidade, achei bem tranquila, o que eu já esperava de um cozy game. O peso dramático se equilibra bem com a exploração e puzzles leves. Este é um jogo que pode ser aproveitado por uma pessoa só ou duas. De qualquer forma, tanto Tofu quanto Corvi têm habilidades específicas, que funcionam de maneira independente e complementar:

  • Tofu: Pode nadar, escavar, farejar e (a melhor de todas) empilhar centenas de objetos na cabeça;
  • Corvi: voa para alcançar lugares diferentes, carrega Tofu e pode trazer objetos para ela.

Mais um elemento muito adorável é que, depois de resolver os conflitos dos personagens, podemos ganhar roupas e acessórios como recompensas, o que também mantém um tom divertido, customizável e mais relaxante na aventura.

Vale a pena?

Se você é do tipo que ama jogos relaxantes, mas com uma backstory emocionante, Capy Castaway precisa estar na sua lista de games obrigatórios. Ele é bonito, engraçado, comovente e ainda tem uma capivara que empilha coisas na cabeça. Para quem não é muito acostumado com o gênero, eu ouso em dizer para dar uma chance nesse aqui. Alguma experiência legal você vai tirar daqui.

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Gabriele Miranda

Audiovizueira pela FAPCOM, adquiri habilidade de fazer bonecos se mexerem pelo Senac Lapa Scipião. Multi-instrumentista e guitarrista na banda Antena Loka, sou pan, vegana e gateira. No tempo livre, estou jogando em algum emulador, andando de patins ou criticando o capitalismo. Talvez eu encontre algum planeta onde me sinta melhor.

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