- por Dani Goldenberg
POV: Presença Oculta chega aos cinemas apostando em uma ideia simples, mas que funciona: um terror em formato found footage contado a partir das câmeras corporais de dois policiais. E, dentro da proposta do gênero, ele entrega exatamente o que promete.
Tenho pra mim que, quando a gente entra em um found footage, a expectativa não é assistir a uma obra-prima que vai redefinir o terror. A ideia é ter uma experiência estranha, desconfortável e, de preferência, divertida. Algo dá muito errado, tudo sai do controle e a gente acompanha o caos se desenrolando. Nesse sentido, o filme acerta bastante.
A trama acompanha dois policiais que, ao atender a um chamado, vão parar no “bairro sinistro” da cidade. Rola uma tensão, as coisas ficam estranhas, um acidente acontece e um deles insiste em encobrir o desfecho. Só que a situação rapidamente escala para algo muito maior (como em todo bom filme de seita que sacrifica bebês) envolvendo uma presença sobrenatural.

A partir daí, o filme mergulha em uma sequência de eventos cada vez mais estranhos, construindo uma narrativa que funciona mais pela sensação do que pela explicação.
Em found footage, sempre rola aquela dúvida clássica de por que o personagem continua filmando em vez de, sei lá, sair correndo pra salvar a própria vida. Aqui acontece meio que o contrário. Como as câmeras fazem parte do trabalho deles, a preocupação não é manter a gravação, mas se livrar dela. Em vários momentos, as filmagens viram um problema, porque nelas estão as provas do que eles querem esconder.
O terror e a tensão são construídos em ondas. Existem momentos mais calmos, seguidos por sequências que aumentam a tensão de forma repentina. Algumas cenas de rua, especialmente quando começa a ficar claro que existe algo maior acontecendo por trás, funcionam muito bem.
Leia também:
Existe uma clara proximidade com o filme REC, tanto na construção da tensão quanto nessa ideia de confinamento e escalada do caos. Para quem gosta desse tipo de terror mais obscuro, meio sujo e imersivo, o filme tem bastante coisa que funciona.
Os personagens também cumprem bem o papel dentro da história. Existe uma dinâmica quase de “tira bonzinho x tira malvado“, em que um deles claramente toma decisões questionáveis enquanto o outro tenta conter os danos. Não é um filme que se apoia no desenvolvimento emocional, mas essa relação ajuda a dar algum senso de direção no meio do caos.
O roteiro não entrega todas as respostas, e sinceramente? Acho que nem precisa. Found footage quase sempre deixa pontas soltas, e isso faz parte da graça. Se explicasse tudo, a gente ia sair do cinema pensando no quê depois?
A sensação aqui é mais de acompanhar um pedaço de algo maior, como se você tivesse acesso só a fragmentos de uma situação que nem os próprios personagens entendem direito. E isso, pra mim, funciona muito mais do que tentar amarrar tudo bonitinho.
Isso também quer dizer que existem furos de roteiro, mas tem uma diferença entre assistir a um filme buscando dissecar cada detalhe e assistir buscando uma experiência. Nesse caso aqui, vou me atentar ao fato de que, como entretenimento, ele serve o seu propósito.
POV: Presença Oculta é um filme que prende, cria momentos de tensão e, principalmente, diverte dentro da sua proposta. Nem tudo é refinado, nem tudo é explicado, mas dificilmente ele fica entediante.
No fim das contas, é o tipo de terror que entende o próprio lugar. Não tenta ser maior do que é, não tenta se explicar demais e confia na experiência do público para preencher os espaços. E está em cartaz nos principais cinemas.
Gostou? Comente aqui e siga a gente no Instagram
Dani Goldenberg
Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.
