Review | O Morro dos Ventos Uivantes vale a pena?

Review | O Morro dos Ventos Uivantes vale a pena?

O Morro dos Ventos Uivantes já estreou nos cinemas brasileiros naquela aura de clássico intenso, trágico e emocionalmente devastador. Pra quem não leu o livro, a experiência funciona muito bem primeiro como cinema: atmosfera sombria, emoção, impacto visual e uma história que te prende mesmo quando você sabe que ela claramente não caminha para um final feliz.

Você percebe rápido que aquele romance não é saudável nem equilibrado, e definitivamente não é o tipo de casal que deveria dar certo. Heathcliff e Cathy Earnshaw não despertam o melhor um no outro, muito pelo contrário. Eles são péssimos. Os dois, igualmente péssimos. Ainda assim, você meio que torce. Sabe que provavelmente vai dar ruim, que as escolhas são impulsivas, que a capacidade de comunicação deles é do tamanho de uma colher de chá e que terapia resolveria muita coisa. Mesmo assim fica ali desejando que, de alguma forma, tudo se encaixe.

Meu destaque vai para o elenco jovem. Owen Cooper como mini-Heathcliff e Charlotte Mellington como mini-Cathy Earnshaw praticamente roubaram o filme pra mim, principalmente o Owen. Existe ali uma intensidade emocional que faz você acreditar naquele vínculo torto entre os dois, e ainda deu uma vontade real de proteger os queridos. Quando a versão adulta assume, perdi um pouco desse encanto inicial. Talvez porque a infância carregue uma espécie de pureza que ainda não virou autodestruição. Ou talvez porque, dali pra frente, entra muita cena de sexo. Vai saber.

Falando do elenco adulto, não tem como não comentar a Margot Robbie. A mulher está estonteante em absolutamente todas as cenas. Mesmo quando a personagem aparece doente, abatida, cinzenta, xoxa, capenga, sem maquiagem… ela continua lindíssima. Dá até pra entender por que todo mundo se apaixona por ela, apesar da personalidade mimada e teimosa da Cathy.

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Já o Jacob Elordi, pra mim, brilha mais na fase em que o personagem está mergulhado na vingança (talvez porque eu já esteja acostumada com ele fazendo papel de psicopata). O ar debochado combina bem com essa versão do Heathcliff, principalmente quando ele está azucrinando todo mundo. A química entre os dois me convenceu o suficiente, mas também é aquela coisa: Emily Brontë foi praticamente a mãe do que hoje a gente costuma chamar de dark romance.

Foto/Reprodução: O Morro dos Ventos Uivantes

Visualmente, o filme é belíssimo. As paisagens, as montanhas, o clima hostil da natureza, todos os elementos ajudam a construir a atmosfera pesada e melancólica. A casa, os interiores, os figurinos, até as paredes, a fotografia… Existe uma tentativa de atualizar o clássico sem abandonar a ambientação de época. Pra mim, remeteu um pouco a Bridgerton: trilha sonora moderna, sensualidade mais explícita, um certo humor deslocado e uma tentativa de aproximar o público atual do que está hypado. Aqui, porém, a vibe é mais sombria e gótica e beeem menos diamante da temporada e final feliz.

Emocionalmente, funcionou pra mim. Funcionou até demais, inclusive. Eu me esforcei tanto pra chorar em silêncio no cinema, que saí de lá e mandei mensagem pro pessoal da nave do banheiro, toda melequenta, sem conseguir falar sem soluçar. Chorei a ponto de desencadear uma crise de sinusite depois. Nas fotos da cabine, eu apareço em todas com o rosto vermelho, rastro de lágrimas e nariz escorrendo. Se a ideia era mexer com o emocional do público, deu muito certo comigo.

Foto/Reprodução: O Morro dos Ventos Uivantes.

Também curti o jeito que retrataram o romantismo exagerado, quase febril. Amor aqui não é estabilidade, é tempestade, obsessão, impulso, possessividade e um tantinho de depressão. É aquele tipo de coisa que te faria arrastar sua amiga pelos cabelos pro psiquiatra. Dentro do contexto, combina com o espírito gótico da história.

Essa escolha funciona? Depende do que você espera. O filme adapta mais ou menos metade do livro e altera bastante coisa, então quem é muito fiel ao material original provavelmente vai sair frustrado. Talvez seja legal ajustar as expectativas antes. Em compensação, como experiência cinematográfica isolada, achei que entrega o que promete: um drama romântico intenso, visualmente lindo e igualmente caótico.

E, honestamente, qualquer filme que me faça chorar tanto a ponto de ter que tomar 14 dias de antibiótico merece pelo menos algum reconhecimento.

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Dani Goldenberg

Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.

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