Review | Mirai – viagem num índice temporal

Review | Mirai – viagem num índice temporal

Imagine uma clássica e tradicional família japonesa: pai, mãe, um filho e um cachorro. Inicialmente, todos vivendo felizes numa casa bem singular (não teria como esperar menos de um arquiteto). Mas a chegada de um bebê muda tudo.

Mirai (未来のミライ) é um longa japonês de 2018, dirigido por Mamoru Hosoda e produzido pelo Studio Chizu. Ele recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2019, sendo uma das mais celebradas obras do cineasta. O Filmelier+ está realizando, então, uma retrospectiva no mês de março com esse título e outros filmes do diretor, como A Garota Que Conquistou o Tempo, Guerras de Verão e Crianças Lobo.

Quando começam a dividir a atenção

Nessa história acompanhamos Kun, um garotinho de quatro anos muito sapeca e teimoso. Ele é fascinado por trens bala e sempre deixa seus brinquedos espalhados pela casa. Quando sua irmã mais nova, Mirai, chega do hospital recém nascida, ele a recebe com admiração. Mas com o passar do tempo, ao ver toda a dedicação e cuidado dos pais com a pequenina, o ciúme toma conta dele.

Foto/Reprodução: Mirai

É um sentimento que ele não consegue compreender e nem aceitar. No decorrer da história, ele passa por vários momentos complicados, onde ele corre para o carvalho no jardim que fica no centro da casa e começa a ter contato com a sua família em épocas diferentes. O primeiro membro que ele encontra é Yukko, o cachorro, que assume, assim, uma forma humana para se comunicar com o garoto.

Foto/Reprodução: Mirai

Yukko tenta explicar que o ciúme que ele está sentindo é o mesmo que ele sentiu quando Kun nasceu, pois ele também deixou de receber atenção exclusiva e aquilo o deixava chateado. Depois ele encontra com a própria Mirai adolescente, que pede ajuda de Kun pois uma tarefa importante precisava ser feita, mas o pai deles não conseguia dar conta, e assim por diante.

Beleza na mistura de estilos

O ponto forte desse filme e o que eu mais gostei é a mescla estética que ele apresenta. Num geral, o filme tem cores bem vivas. Os personagens são desenhados com tons predominantemente sólidos, com uma luz e sombra em cenas chaves. Eles são muito caricatos, desde expressões mais fofas até expressões super exageradas. Então essa dinâmica fica bem divertida.

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Também existe uma presença do 3D bem texturizado em aquarela nos cenários. E ainda há momentos onde a animação dá uma flertada com o terror mais para o final. Mas a minha parte favorita é onde Kun está perdido na estação de trem e interage com um personagem em 3D completamente fora do estilo do filme, o que dá uma sensação de estranhamento proposital muito interessante.

Foto/Reprodução: Mirai

Vale a pena?

Esse filme traz uma experiência muito gostosa. A gente sente toda a tensão da família fazendo o melhor pelos filhos. Fora que a cada novo conflito, as soluções aparecem de uma forma cada vez mais alucinada, tomando proporções cada vez maiores. Coisas pequenas fazem total diferença no passado, presente e futuro. Então, sim, vale a pena cada segundo.

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Gabriele Miranda

Audiovizueira pela FAPCOM, adquiri habilidade de fazer bonecos se mexerem pelo Senac Lapa Scipião. Multi-instrumentista e guitarrista na banda Antena Loka, sou pan, vegana e gateira. No tempo livre, estou jogando em algum emulador, andando de patins ou criticando o capitalismo. Talvez eu encontre algum planeta onde me sinta melhor.

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