- por Gabriele Miranda
Muitas vezes passamos por ritos e transformações que só ocorrem quando não damos atenção ao medo de enfrentá-las. Mas toda essa jornada ocorre com frustrações, aprendizados e prazeres correndo lado a lado. Essas e outras peripécias fazem parte da aventura da Princesa Saira. Mesmo que essa animação não seja infantil, ela aquece o coração da comunidade queer, incluindo o meu.
Saira é uma Princesa Lésbica de 23 anos, que vive em Clitópolis, um lugar conhecido por ser difícil de encontrar. Ela começa como namorada de Kiki, num relacionamento onde Kiki sempre se demonstrou brava, forte e confiante trabalhando como caçadora de recompensas, enquanto Saira não conseguia nem sair de casa e passava o tempo praticando truques de mágica.

Porém, Kiki termina com ela para continuar suas aventuras, bem no dia do aniversário de Saira, e sendo o dia também que ela precisava invocar seu Labrys Mágico. Algo que ela não consegue e fica ainda mais frustrada, engatilhando um período de extrema depressão na princesa. Outro ponto é que na família de Saira, ela nunca teve atenção de suas mães e ela também sempre ficava a sombra das duas.
Nesse meio tempo, Kiki estava em uma de suas aventuras quando foi sequestrada pelos Homeliens Brancos e Heterossexuais, que já haviam sido muito poderosos no universo, mas agora estavam a escória da existência. Eles estavam com um imã de “gatinhas”, que só funcionava com o Labrys real da Saira e estavam usando Kiki de isca para conseguir isso. Saira então decide passar por cima de todos os seus medos e inseguranças para conseguir salvar sua amada.
Porque eu amei demais essa animação
Ela parece unir tudo de perfeito que existe: romance sáfico, muito humor, referências da comunidade LGBTQIAPN+ e muitas músicas fofas que grudam na cabeça. É muito gostoso ver tudo isso sendo tratado com naturalidade para mostrar a verdadeira problemática da história: trauma de abandono e dependência emocional.
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Tem uma cena que Saira começa a meditar para conseguir entender porque ela não consegue invocar seu Labrys Real, e ela vai alcançando várias camadas do seu subconsciente. Isso vai revelando desde as camadas mais superficiais, da sua insegurança e aquela famosa voz na cabeça que diz “você nunca vai conseguir isso e aquilo blá blá blá” até momentos da sua infância onde ela foi deixada de lado pelas mães, colocada pra baixo em seus interesses e do medo de ficar sozinha para sempre.
Eu gostei como tudo foi colocado de uma forma bem clara e direta. Isso reforça a importância da saúde mental, do auto conhecimento e de buscar ajuda.

Vale a pena assistir?
Essa animação é perfeita para quem é do vale, que vai morrer de fofura. Mas aliados e pessoas interessadas em temas voltados a saúde mental também. Eu fico receosa de indicar essa animação para pessoas menores de 16 anos, apesar de acontecerem momentos que eu acho muito importantes e acolhedores para essa faixa etária também. Talvez uma supervisão e aquela mãozinha no olho “naquelas cenas” possam vir a calhar.
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Gabriele Miranda
Audiovizueira pela FAPCOM, adquiri habilidade de fazer bonecos se mexerem pelo Senac Lapa Scipião. Multi-instrumentista e guitarrista na banda Antena Loka, sou pan, vegana e gateira. No tempo livre, estou jogando em algum emulador, andando de patins ou criticando o capitalismo. Talvez eu encontre algum planeta onde me sinta melhor.
