- por Luah Marquezini
Um relato sincero sobre o BTS em São Paulo (30/10): um espetáculo inesquecível, marcado também pela decepção com a organização.
Eu esperei muito por esse momento. Muito mesmo.
Alô, passageiros da nave! No dia 30 de outubro, estive no Morumbis, em São Paulo, para assistir ao show do BTS ao lado da minha mulher, Marina. Um sonho que finalmente se tornou realidade. Daqueles momentos que a gente imagina tantas vezes que, quando acontecem, demora alguns segundos para acreditar.
E quero começar deixando algo muito claro: o BTS foi impecável. O show foi lindo. Os sete são simplesmente incríveis.
A experiência de assistir ao BTS em São Paulo merecia muito mais do que aquilo que a organização entregou.
E, quando digo organização, estou falando da Live Nation.

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O acesso: uma fila, um funcionário nenhuma revista e duas águas
Chegar ao Morumbis é, tecnicamente, tranquilo. O problema começou no acesso ao estádio: uma fila gigantesca, com mais de três voltas, e apenas um funcionário tentando organizar tudo. Um trabalho que claramente exigia uma equipe inteira, não uma pessoa sobrecarregada.
Ficamos na fila das 15h até aproximadamente 16h30 ou 17h, expostos ao calor e à garoa, sem qualquer cobertura. Tudo bem, estávamos na rua, mas a dimensão do evento exigia um planejamento melhor.
Ao chegar à entrada, recebemos dois copinhos de água. Havia pontos de distribuição dentro da pista, porém em locais específicos e praticamente inacessíveis para quem estava no meio da multidão. Enquanto isso, água e refrigerante custavam entre R$ 15 e R$ 20.
Hidratação não deveria ser um luxo em um evento desse porte.
A revista também foi extremamente falha. Abri minha bolsa, a pessoa mal olhou, recebi dois tapinhas simpáticos no ombro e ainda houve uma “gracinha” com o detector de metais. Sinceramente, aquilo não transmitiu nenhuma segurança.
Em um evento com milhares de pessoas, acredito que a revista precisa ser levada a sério. No fim, tanto o acesso quanto os procedimentos de segurança pareceram improvisados. É inaceitável para um espetáculo dessa dimensão, principalmente considerando os valores dos ingressos.
A pista: uma forma de bolo e uma multidão de cabeças
Estávamos na pista, e foi ali que começou uma das minhas maiores frustrações com a estrutura do evento.
O palco era 360°, o que deveria proporcionar uma experiência incrível para todos. Mas a montagem da pista parecia não ter sido pensada para garantir visibilidade. Em alguns momentos, tive a impressão de que fizeram tudo no olhômetro ou de que o manual de instruções estava em coreano e não tinha ninguém para traduzir.
Além disso, segundo a estrutura que observamos, a montagem para a América Latina veio incompleta, com a ausência de quatro telões laterais que fariam diferença para quem estava nas arquibancadas e nas cadeiras.
A pista parecia uma forma de bolo, daquelas com um buraco no meio: as áreas próximas às grades eram mais altas, enquanto quem ficava atrás precisava encarar uma espécie de rampa. Como resultado, a visibilidade ficava prejudicada justamente para quem estava mais distante do palco.
Afinal, de que adianta um palco 360° se a estrutura ao redor não permite que todo mundo enxergue o espetáculo?

Quem estava mais para trás ficava praticamente no final de uma ladeira, tentando enxergar alguma coisa por cima de uma multidão. E não estou exagerando quando digo que, durante praticamente todo o show, a visão era a mesma:
Leque, leque, leque.
Cabeça, cabeça, cabeça.
ARMY Bomb, ARMY Bomb, ARMY Bomb.
Celular, celular, celular.
E nada de BTS.
Se você observar a imagem acima, vai perceber a inclinação da pista em direção ao palco. Era frustrante estar tão perto de realizar um sonho e, ainda assim, não conseguir enxergar o espetáculo de verdade.
Ainda bem que havia telões, porque, sem eles, muita gente teria se limitado a ouvir o show, sem conseguir acompanhar o que acontecia no palco.
A falta de visibilidade comprometeu a experiência na pista
Além da visibilidade, até pular e dançar era difícil de onde estávamos. Ficamos naquela espécie de subida, rodeadas de lixo por todos os lados, tentando encontrar ângulos entre os espaços dos tatames para conseguir pisar com segurança.
Era preciso equilibrar tudo: encontrar um espaço para os pés, enxergar entre leques e cabeças e, de alguma forma, aproveitar o show. Bastava um passo em falso para virar o pé. Eu mesma quase torci o meu algumas vezes.
Uma estrutura que dificultava até mesmo algo tão básico quanto dançar e aproveitar o espetáculo.
A solução para uma pista desse tamanho não deveria ser simplesmente colocar um telão e esperar que todo mundo consiga aproveitar.
A organização poderia ter pensado em uma estrutura em que as grades próximas ao palco ficassem na parte mais baixa, com a pista subindo gradualmente em direção às laterais. Uma disposição que permitisse que as pessoas mais atrás também tivessem alguma chance de enxergar.
Porque pagar caro para assistir a um show e passar a noite inteira olhando para a cabeça de outra pessoa, ou ganhar uma bela dor no pescoço de tanto olhar para o alto, não é uma experiência confortável nem aceitável. Principalmente considerando os valores dos ingressos e suas respectivas taxas.
Superlotação e insegurança: quando assistir ao BTS vira uma questão de sobrevivência
Se os problemas com a pista já eram suficientes, a situação ficou ainda mais preocupante quando percebemos a quantidade de pessoas no estádio.
Antes mesmo de o show começar, já era evidente que havia algo muito errado com a lotação.
O Morumbis estava tão cheio que até um dos momentos mais esperados, durante a música “IDOL”, foi prejudicado. Quem acompanha o BTS sabe que os meninos costumam correr pela parte externa da pista, passando perto de quem está mais ao fundo e nas cadeiras. Dessa vez, isso não aconteceu como deveria. Aparentemente, havia gente demais para o espaço disponível.
Além disso, a movimentação da multidão em alguns momentos foi assustadora. Aconteceram várias ondas de pressão que atingiram quem estava à frente, e senti isso na pele.
Na segunda onda, faltando cerca de duas horas para o show, eu estava sentada com um grupo de ARMYs que conhecemos ali quando, de repente, a multidão começou a avançar. Precisei me virar nos 30 para acompanhar a pressão e não acabar sendo pisoteada ou perdendo alguma coisa na correria. Tipo minha mulher.
É absurdo pensar que, enquanto eu deveria estar apenas animada e ansiosa pela chegada do BTS, precisei me preocupar em não me machucar. É assustador, completamente inaceitável e irresponsável por parte da organização.
Vídeo/Reprodução: usuário via X
Afinal, a gente não deveria precisar escolher entre realizar um sonho e ter o direito de se sentir segura.
É assustador, completamente inaceitável e irresponsável por parte da organização.
Foi justamente por isso que, quando o show começou, decidimos ir um pouco mais para trás. Queríamos aproveitar sem precisar lutar por espaço ou ter medo de sermos empurradas novamente.
Na prática, abri mão de ver o BTS com meus próprios olhos.
E isso é frustrante. Pagamos basicamente o equivalente a um salário mínimo por cada ingresso e esperamos tanto por aquele momento. Queria ver cada detalhe, estar perto deles e finalmente realizar esse sonho.
Entretanto, a estrutura da pista não permitiu muito além de enxergar uma cabeça ou outra dos integrantes entre leques, celulares e ARMY Bombs.
E, tecnicamente, não precisava ter sido assim se o evento tivesse sido melhor organizado.
Arquibancadas lotadas e outros riscos estruturais
As arquibancadas também davam arrepios. Pareciam prestes a desabar, com pessoas ocupando até os degraus das escadas. Isso não é apenas desconforto, é uma questão de segurança.
Também vi relatos de pessoas mencionando pedaços de concreto caindo nas cadeiras durante o show.
Bizarro.
Banheiros e sujeira: o básico também ficou para trás
Nós sequer utilizamos os banheiros do estádio.
Antes mesmo de chegarmos, já tínhamos recebido informações de que os banheiros químicos disponíveis na pista estavam em péssimas condições. Por isso, procuramos chegar ao estádio mais tarde, para evitar qualquer risco ou desconforto desnecessário.
E, mesmo antes de entrar, a sujeira já chamava a atenção.

Não presenciei grandes confusões no nosso acesso, mas havia muita sujeira na rua. Quanto mais perto do estádio, mais imundo ficava o ambiente.
É difícil entender como um evento desse porte não consegue oferecer uma estrutura básica de limpeza e manutenção. Pelo menos lixeiras pelo caminho, sabe?
Deplorável.
As ARMYs sempre dão o nome.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que realmente tornou a experiência da fila mais especial: as ARMYs.
Os freebies que recebi eram lindos. Muito bem pensados, feitos com carinho e entregues com aquela alegria que só quem vive esse mundinho K-pop entende.
E preciso agradecer especialmente a quem distribuiu lacinhos e presilhas de cabelo.

Vocês me salvaram!
É muito bonito perceber como os fãs conseguem transformar uma situação desconfortável em um momento de acolhimento. Enquanto a organização falhava em tantos aspectos, as ARMYs estavam ali, compartilhando carinho, criando conexões e fazendo o dia ficar um pouco mais leve.
A comunidade merece muito mais do que uma estrutura precária.
Quando a ficha finalmente caiu: o BTS e o amor pelo ARMY
Apesar de todos os problemas, houve um momento em que simplesmente esqueci o caos ao meu redor.
Quando o primeiro integrante do BTS saiu correndo com o sinalizador, a ficha finalmente caiu.
Eles realmente existem.
Finalmente estavam ali, naquele palco, diante de mim.
Eu estava no mesmo lugar que o BTS.
Depois de tanto esperar, acompanhar tantas coisas e sonhar inúmeras vezes com aquele momento, finalmente estava vivendo tudo aquilo.
E uma das coisas mais lindas do show foi perceber o quanto eles se esforçaram para se comunicar com a gente.
Eles falaram português o tempo todo! Esbanjaram simpatia, carinho e amor pelas ARMYs brasileiras. Cada interação, cada tentativa de falar a nossa língua, cada sorriso e cada demonstração de afeto faziam a gente sentir que não estava ali apenas para assistir a um espetáculo.
A gente fazia parte daquilo.
E acho que essa é a magia de ser ARMY…
O BTS demonstrou o quanto estava feliz por estar ali, e nós sentimos isso.
As surpresas do setlist e os momentos que ficaram na memória
As músicas surpresa foram um espetáculo à parte! Curti tanto com uma armyga que filmou toda a nossa emoção, mas acabamos nos perdendo no meio da multidão e não consegui pegar o contato da diva.
Mal podíamos acreditar que estávamos presenciando “Airplane pt. 2” e “I Need U” ao vivo.
Meu celular está quebrado, então gravei pouco. A Marina deu a vida para conseguir vê-los e registrar cada momento. Eu, por outro lado, escolhi não sofrer: quis admirar, dançar, cantar e aproveitar cada segundo.
E foi exatamente o que fiz.
Voltei para casa cheia de dores e sem voz, mas com meu objetivo cumprido.
O BTS nunca decepciona. São incríveis, entregam tudo no palco e fazem a gente entender por que espera tanto por esse momento.
Saí de lá feliz.

Feliz por estar no mesmo lugar que eles e finalmente assistir ao show que tanto esperei. Mesmo com todos os problemas, vivi algo que vou guardar para sempre.
Mas também saí frustrada.
Ainda estou pagando por esse show, com ingressos no valor de um celular novo. Uma experiência tão especial não deveria ter sido marcada por tantos episódios de negligência e falta de respeito por parte da organização.
É justamente por amar tanto o BTS e ter esperado tanto por esse momento que não consigo ignorar o que aconteceu. Por isso, precisei vir botar a boca no mundo.
O show foi lindo, o carinho deles foi genuíno e a conexão com as ARMYs é sempre inesquecível. Entretanto, a organização tinha a obrigação de entregar uma estrutura à altura.
O BTS fez a gente se sentir parte daquele sonho. A Live Nation fez a gente lutar para conseguir vivê-lo.
O que eu espero dos próximos shows
A Live Nation precisa entender que o público não é apenas uma fonte de receita. São pessoas que economizam, parcelam, fazem empréstimos, abrem mão de outras coisas e passam meses, às vezes anos, esperando por esse momento.
Não é normal pagar caríssimo por um ingresso e receber uma experiência tão precária assim.
São sonhos, Live Nation. E esses sonhos merecem respeito.

Independentemente do fandom, merecemos acesso organizado, revista realmente segura, água acessível, banheiros dignos, visibilidade do palco e, acima de tudo, segurança.
Também merecemos estádios preparados para receber a quantidade de ingressos vendidos, escadas livres e uma estrutura compatível com o valor que pagamos.
Talvez seja hora de repensar o uso do Morumbis para shows desse porte. Não pela história do estádio, mas porque sua estrutura e a distribuição do público não pareceram adequadas à dimensão do evento.
Fechem esse quiosque! Não adianta comportar milhares de pessoas se elas são colocadas em condições tão precárias.
Chega de explorar os fãs e entregar tão pouco em troca de ingressos tão caros.
A sensação era de que éramos experimentos de laboratório aguardando o próximo absurdo.
O que precisa mudar na estrutura dos próximos shows
Também questiono a proibição ou a regulamentação da entrada de leques. Talvez fosse o caso de estabelecer regras para modelos e tamanhos específicos, já que não havia estrutura adequada de hidratação e conforto térmico. Assim, seria possível evitar que a experiência de alguém fosse prejudicada e permitir que todos pudessem enxergar, do baixinho ao mais alto.
Óbvio que sei que show é assim, mas conseguir ver minimamente o palco e as performances com os próprios olhos também faz parte do que estamos pagando, né?
Não quero que a próxima ARMY precise escolher entre enxergar o BTS e aproveitar o show. Também não quero que alguém passe mal por não conseguir chegar à água ou que a segurança de milhares de pessoas seja colocada em segundo plano. Acima de tudo, a emoção de realizar um sonho jamais deveria ser usada como justificativa para aceitar uma organização tão precária.
O espetáculo foi perfeito. O resto não.
Saí do Morumbis feliz por realizar um sonho, por estar ali com a minha noiva, vTambém questiono a proibição ou a regulamentação da entrada de leques. Talvez fosse o caso de estabelecer regras para modelos e tamanhos específicos, já que não havia estrutura adequada de hidratação e conforto térmico. Assim, seria possível evitar que a experiência de alguém fosse prejudicada e permitir que todos pudessem enxergar, do baixinho ao mais alto.
Óbvio que sei que show é assim, mas conseguir ver minimamente o palco e as performances com os próprios olhos também faz parte do que estamos pagando, né?
Não quero que a próxima ARMY precise escolher entre enxergar o BTS e aproveitar o show. Também não quero que alguém passe mal por não conseguir chegar à água ou que a segurança de milhares de pessoas seja colocada em segundo plano. Acima de tudo, a emoção de realizar um sonho jamais deveria ser usada como justificativa para aceitar uma organização tão precária.er o BTS, cantar, dançar e viver algo que esperei por tanto tempo.
Mas não posso fingir que a experiência foi perfeita só porque o artista que amo estava no palco.
O BTS é o espetáculo.

Espero, de verdade, que os próximos shows sejam diferentes. Não pedimos luxo absoluto, pedimos respeito, segurança e condições dignas para viver um momento tão especial. Afinal, nosso dinheiro suado não cai do céu.
O BTS entregou o sonho. A Live Nation entregou o descaso.
E as ARMYs mereciam muito mais.
Porque o show foi perfeito. O resto não.
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Câmbio e desligo!
Luah Marquezini
Oi, eu sou a Luah! Galaxy Defender desde criancinha e ARMY. Por aqui escrevo sobre KPOP mas também adoro meter meu bedelho nos assuntos pop com glitter. Também sou tatuadora e sei um monte sobre várias coisas aleatórias, conhecimento nunca é demais :)
