- por Nathalia Souza
O Anime Friends 2026 mostrou mais uma vez por que continua sendo o maior festival de cultura pop asiática da América Latina. Durante quatro dias, o evento reuniu shows internacionais, lançamentos de games, concursos de cosplay, painéis, dubladores, Artist Alley e dezenas de estandes para todos os tipos de fãs. Como toda grande edição, houve alguns pontos que poderiam ter sido melhores, mas saí do evento com aquela sensação de sempre: cansada, feliz, com algumas sacolas a mais e já ansiosa para o próximo ano.
Antes de falar das atrações, acho justo comentar dois assuntos que chamaram bastante atenção nesta edição. O primeiro foi o ar-condicionado. Eu não estive na quinta-feira, justamente o dia em que mais vi reclamações nas redes sociais, mas no sábado também senti que alguns espaços estavam um pouco mais quentes do que o esperado. Não chegou a atrapalhar minha experiência, mas certamente é um ponto que pode ser melhorado nas próximas edições. Por outro lado, o transporte fretado funcionou muito bem para mim. Em praticamente todos os dias consegui embarcar rapidamente, tanto na ida quanto na volta. Apenas no sábado esperei cerca de meia hora para ir, o que, considerando o tamanho do evento, achei bastante tranquilo.
Uma das coisas que sempre gosto de falar para quem vai ao Anime Friends pela primeira vez é: tenha paciência na hora das compras. Muita gente entra no primeiro estande, vê um produto e já leva, mas vale muito a pena pesquisar. Andando um pouco mais você encontra promoções excelentes. A JBC foi um ótimo exemplo disso. Eu e uma amiga Brenda encontramos a edição de capa variante de “Astro Boy” por um preço muito menor do que o encontrado na internet e, dependendo da quantidade de mangás comprados, ainda era possível ganhar brindes. A NewPOP continua sendo praticamente a mãe de todos nós, fãs de mangá, com promoções de volumes por R$ 10 e R$ 20. Já a Panini manteve sua política de descontos progressivos para quem compra vários títulos. A dica continua sendo a mesma todos os anos: pesquise antes de comprar. Você pode economizar bastante.



Um dos estandes mais bonitos do evento, sem dúvidas, foi o da parceria entre PUBG Mobile e Naruto. A ambientação estava incrível e recriava diversos cenários clássicos do anime. Logo no teste beta da colaboração já era possível saltar de paraquedas em lugares como o Monte dos Hokages, a Vila da Folha. Mesmo não sendo uma jogadora frequente de PUBG Mobile, deu para perceber que a essência do jogo continua praticamente a mesma. As novidades ficam por conta da temática de Naruto, com shurikens, espadas, a clássica corrida ninja e habilidades como Rasengan. Após o lançamento oficial, algumas dessas habilidades poderão até ser ativadas por comandos de voz. Outro detalhe muito legal é a presença da Kurama, a Raposa de Nove Caudas, que aparecerá como um chefe especial durante as partidas e em diferentes estados.
Além dos testes da colaboração, o estande chamou atenção pelo cuidado com a ambientação. Todo o espaço era inspirado no universo de Naruto, com cenários que faziam os visitantes realmente se sentirem dentro da Vila da Folha. Um dos destaques era a reprodução do famoso Ichiraku Ramen, o restaurante do Teuchi – ou o tio do lámen pros intímos -; O estande também contava com um circuito de atividades e, conforme os participantes completavam os desafios, recebiam brindes exclusivos da parceria. Foi uma forma divertida de incentivar o público a explorar cada canto da ativação, tornando a experiência ainda mais imersiva.

E foi justamente nesse estande que vivi uma das experiências mais inesperadas do Anime Friends: participei de um campeonato de PUBG Mobile sem nunca ter jogado o game antes. O prêmio para o primeiro colocado era um celular e, apesar de eu não ter vencido, consegui chegar até a semifinal. Os próprios apresentadores perguntaram se eu realmente nunca tinha jogado PUBG. Quando respondi que não, acharam que eu estava brincando. Expliquei que já tinha jogado alguns FPS, como “Resident Evil” e “Far Cry”, mas praticamente nada no celular. Vou admitir que isso massageou bastante o meu ego. Agora fiquei pensando que talvez exista um talento escondido aí. Quem sabe, praticando até o ano que vem, eu não volte para tentar novamente?

A SEGA também levou um dos espaços mais legais da feira. Além do carro temático de Sonic Racing: CrossWorlds, que virou parada obrigatória para fotos, foi possível testar alguns dos próximos lançamentos da empresa. Joguei a versão de Nintendo Switch 2 de Sonic Frontiers e foi justamente ali que meu ego gamer voltou para a realidade. Depois de surpreender no campeonato de PUBG, achei que iria mandar bem em qualquer jogo. Não foi exatamente o que aconteceu. Minha performance em Sonic Frontiers foi simplesmente péssima. Nem sei se existe alguém ruim em Sonic, mas, se existir, eu definitivamente faço parte desse grupo. Ainda assim, poder testar jogos antes do lançamento continua sendo uma das melhores experiências que eventos como o Anime Friends proporcionam.
Mas, para mim, a verdadeira alma do Anime Friends continua sendo o Artist Alley. Ou talvez eu devesse dizer que ele é a alma… e também o diabo do evento. Você entra pensando “vou só dar uma olhadinha” e, quando percebe, já está carregando várias sacolas e fazendo contas para descobrir como vai pagar a fatura do cartão. Além de encontrar trabalhos incríveis, também é um espaço muito gostoso para conversar diretamente com os artistas independentes. E existe uma parada obrigatória para mim todos os anos: visitar o estande da Vickydrawsart. Eu sempre compro um do Leon de Resident Evil 4 usando calcinha. Já virou tradição e confesso que não consigo sair de lá sem levar mais um para casa.



Outra característica que adoro no Anime Friends é que sempre existe alguma coisa acontecendo. Quer assistir a um painel com dubladores? Tem. Quer acompanhar um concurso de cosplay? Também tem. Quer ver uma palestra sobre Ultraman? Tem. Quer descobrir alguma novidade sobre um anime ou game específico? Também vai encontrar. O lado bom é justamente essa variedade. O lado ruim é que tudo acontece ao mesmo tempo. Nessas horas, só usando um Jutsu dos Clones das Sombras para conseguir acompanhar toda a programação.
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Entre os shows, um dos grandes destaques foi o Galneryus. Confesso que eu ainda não conhecia a banda, mas saí completamente impressionada. O vocalista tem um alcance vocal absurdo. É o tipo de apresentação que faz até quem nunca ouviu falar no grupo parar por alguns minutos para assistir. Foi uma surpresa extremamente positiva.
Mas um dos momentos mais aguardados para mim foi, sem dúvida, o show da Hanabie. A banda entregou exatamente aquilo que os fãs esperavam: muita energia, peso e uma presença de palco absurda. É aquele contraste que só elas conseguem fazer tão bem. Você olha e pensa que vai encontrar algo fofinho, mas, quando a música começa, vem gritaria, riffs pesados, pancadaria e uma explosão de energia do início ao fim. Foi, literalmente, tiro, porrada e bomba. E ficou muito claro que o público brasileiro recebeu a banda de braços abertos.

Para fechar, não posso deixar uma dica de alimentação. Todos os anos eu paro praticamente na mesma barraca. Confesso que nunca lembro o nome, mas reconheço de longe. Eles vendem aqueles bolinhos orientais que lembram os do “Kung Fu Panda”. São três unidades por R$ 30, bem recheadas, com bastante proteína e que sustentam por várias horas de evento. O melhor de tudo é que o preço permaneceu o mesmo do ano passado, algo raro em grandes eventos. Mas um aviso, eles não possuem versão vegetariana. Mas para quem come carne, super vale a pena!! Procurem essa barraca ano que vem.
No fim das contas, o Anime Friends 2026 entregou exatamente aquilo que se espera dele: diversão, novidades, reencontros, boas compras, experiências inesquecíveis e a oportunidade de viver durante alguns dias cercado por pessoas que compartilham a mesma paixão pela cultura pop asiática. É um daqueles eventos em que sempre parece faltar tempo para fazer tudo, mas que faz a gente sair já contando os dias para voltar no ano seguinte.
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Nathalia Souza
Artista, tradutora, animadora, programadora e ainda com formação em mecâtronica e marketing, sou uma menina que não sabe bem o que quer da vida. Emo de carteirinha, vivo indo em shows e eventos para aumentar minha coleção de memórias. Vivo no mundo da lua, e talvez seja por isso que me considero astronauta.
