Review | A pequena Amelie

No início, não havia nada, apenas Deus. E ele não precisava fazer muita coisa, a não ser estar ali, como um tubo. Só deixando as coisas passarem, sem ser afetado em nada. Até que de repente, um fato o desperta e então o que antes tinha um olhar estático, agora representava vida. E assim nasce A Pequena Amelie.

A Pequena Amelie é um filme de animação francês baseado no livro Amélie Nothomb. Ele aborda, de maneira fantasiosa e cheia de afeto, a vida e a morte sob a perspectiva de uma criança. O longa será lançado em 12 de março no Brasil, sendo então, distribuído pela Mares Filmes e Alpha Filmes.

Além de ser um forte candidatos ao Oscar 2026, venceu o Festival de Annecy 2025, o mesmo que premiou Flow. No entanto, esse filme não se destaca apenas pela sua estética cativante, mas também apresenta um subtexto sobre o trauma japonês no período após a Segunda Guerra Mundial.

A história da nossa pequenina

O filme começa com o nascimento de Amelie. Nós a acompanhamos desde o útero, onde ela já tinha o entendimento de que era um ser divino. No hospital, o médico faz alguns testes com ela e conclui que ela é como um vegetal. Um bebê com o olhar vazio, que não reage a nada. Mesmo assim, ela recebe muito amor dos pais logo de início. Ela também tem mais dois irmãos mais velhos bem sapecas e toda família está vivendo no Japão temporariamente, apesar de serem belgas.

Foto/Reprodução: A pequena Amelie

Depois que ela faz dois anos, recebe a visita da avó, que da para ela um pedaço de chocolate branco. Amelie considera que a partir dali é quando ela começa a viver, a sentir vontade de conhecer tudo e explorar os arredores de sua casa. Tudo começa a ficar caótico, então a proprietária do imóvel, uma senhora japonesa bem séria, traz uma mulher para ajudar a manter a ordem. Esta mulher começa a se aproximar de Amelie e a criar um laço com ela dividindo tanto o que ela conhece sobre a cultura japonesa quanto experiências pessoais da sua vida.

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Os conflitos começam quando a avó de Amelie, depois de voltar para a Bélgica, acaba falecendo. Ao ver seu pai chorando como um grande bebê, ela começa a se questionar sobre a morte. Nesse contexto, sua babá compartilha um pouco do que entende sobre o assunto a partir do que viveu durante a guerra. Isso porque ela chegou a ficar soterrada em escombros por causa dos bombardeios, ocasião em que perdeu toda a sua família.

A coisinha mais fofa do mundo

Eu vou dar a minha opinião baseada no filme dublado em português. Mas esse trabalho ficou lindo e, portanto, precisa ser destacado. Dessa forma, confesso que fiquei bastante tocada por esse filme, já que, pessoalmente, a temática me emociona bastante. Não tive contato com o livro, mas fiquei curiosa e com certeza vou buscar para ler também.

Toda a questão da babá passar por cima de seus traumas para poder expressar todo o seu amor por Amelie é muito lindo de se ver. Eu também gostei muito do estilo de animação desse filme. Nunca paguei tanto pau para a transparência do vidro de uma porta. Também achei muito bonito todo trabalho na trilha sonora, que foi majoritariamente executado por músicos japoneses, o que dá um peso a mais no clima todo.

Foto/Reprodução: A pequena Amelie

Eu gosto bastante de comparar o título original do que eu assisto com a adaptação brasileira. No caso dessa, acho curioso como no francês é Amélie et la Métaphysique des tubes, o que eu entendo como algo mais referenciado ao início do filme. Enquanto isso, em inglês, Little Amélie or the Character of Rain, que tem mais a ver com o momento que a babá da Amelie ensina o kanji Ame (), que significa chuva em japonês. Mas aqui o filme chegou com um título mais raso, sem dar nenhuma pista de nada.

Vale muito a pena

Esse é o típico filme que encanta com seu brilho inocente. Ele traduz muito bem toda contemplação que existe no olhar de uma criança com o mundo. É perfeito para assistir com a família, ou em um date e todo mundo morrer de fofura enquanto entra em crise existencial.

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Gabriele Miranda

Audiovizueira pela FAPCOM, adquiri habilidade de fazer bonecos se mexerem pelo Senac Lapa Scipião. Multi-instrumentista e guitarrista na banda Antena Loka, sou pan, vegana e gateira. No tempo livre, estou jogando em algum emulador, andando de patins ou criticando o capitalismo. Talvez eu encontre algum planeta onde me sinta melhor.

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