- por Dani Goldenberg
Instinto Fatal, dirigido por Neil Marshall (que também dirigiu Abismo do Medo), parecia ter os ingredientes certos para um thriller erótico cheio de tensão. A premissa costuma funcionar: uma ilha europeia isolada, personagens com segredos, muito dinheiro envolvido e uma série de assassinatos misteriosos.
Na prática, porém, o filme segue por caminhos bem menos interessantes do que prometia.
A história acompanha uma jovem que decide passar alguns dias na mansão de seu padrasto milionário em uma ilha aparentemente tranquila. Ao mesmo tempo, assassinatos começam a acontecer na região e as relações, recém construídas entre os personagens, passam a revelar camadas menos inocentes do que pareciam à primeira vista.

O problema é que o próprio filme limita o suspense. Logo no início fica claro que os crimes são cometidos por uma mulher e, na maior parte do filme… só temos duas mulheres em cena. Logo, não é bem um leque gigante de opções.
Poderia funcionar com atores excelentes? Talvez. Mas uma das maiores fragilidades de Instinto Fatal está justamente nas atuações. Em um gênero que depende tanto da química entre personagens, da ambiguidade e da dúvida constante sobre em quem confiar, o elenco raramente transmite a intensidade necessária para sustentar a tensão. Os diálogos soam artificiais, quase como se estivessem sendo recitados em vez de interpretados.
O filme também parece apostar mais na sensualidade do que no suspense. Em thrillers eróticos, o desejo costuma fazer parte do jogo de poder entre os personagens. Aqui, muitas cenas acabam parecendo apenas decorativas, surgindo mais como recurso visual (de certa forma, fetichizado) do que como parte essencial da história.
Leia também:
Essa sensação de artificialidade aparece também em uma decisão curiosa de produção. Embora a história se passe claramente em um cenário europeu, todo o filme é falado em inglês. Como a maior parte do elenco não parece ter o idioma como língua nativa, vários diálogos soam pouco naturais. A exceção é Charlotte Kirk, que também assina o roteiro ao lado do diretor. Provavelmente, por ela ser britânica.
Outro ponto negativo é o ritmo irregular. Temos cenas de confronto físico longas e artificiais demais, enquanto as cenas que deveriam oferecer profundidade das personagens são corridas, superficiais e deixam pontas soltas. Mas nem tudo funciona mal.

Visualmente, a fotografia explora bem as paisagens da ilha e ajuda a criar uma atmosfera chique, que combina com esse tipo de história. O figurino reforça a estética sofisticada, oferecendo o contraste entre os cenários luxuosos e os eventos violentos que acontecem.
No fim das contas, Instinto Fatal acaba sendo um daqueles filmes prometem muito e entregam pouco. Entre atuações irregulares, suspense pouco eficaz e escolhas narrativas discutíveis, o filme acabou com só 8% de aprovação no Rotten Tomatos.
Para quem gosta do gênero, talvez exista alguma curiosidade em ver como a trama se desenrola. Ainda assim, é difícil não sair da experiência com a sensação de que havia caminhos muito mais interessantes que poderiam ter sido explorados.
Gostou? Comente aqui e siga a gente no instagram
Dani Goldenberg
Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.
