- por Joao Paulo
Cinema como ferramenta de entretenimento, também pode ser uma poderosa arma para fortes reflexões e denúncias urgentes acerca dos males que assolam a humanidade. Os dramas como, “A Voz de Hind Rajab” (The Voice of Hind Rajab, Tunísia), normalmente são os que mais despertam este sentimento, pois são ligados a eventos reais com peso narrativo imenso capaz de arrebatar plateias do mundo todo nos tirando a zona de conforto.
Esta sensação senti quando assisti a este longa que foi indicado ao Oscar 2026 para Melhor Filme Internacional e estreia nos cinemas brasileiros no dia 29 de janeiro. A história é baseada em fatos e resgata as gravações originais do ataque do dia 29 de janeiro de 2024 das Forças Israelenses durante a invasão a Faixa de Gaza numa das guerras mais sangrentas a história recente da humanidade, que continua acontecendo até o presente momento.

O longa dirigido e escrito pela tunisiana Kaouter Bem Hania e produzido por uma legião de estrelas de Hollywood como: Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Alfonso Cuáron e Jonathan Glazer, é focado na pequena palestina Rajab, uma menina de seis anos que sofre um ataque junto com seus parentes e fica presa entre o fogo cruzado, tendo como a única saída a ligação para os socorristas de plantão que precisam acalma-la até que consiga mobilizar uma ambulância para o resgate.
Não existe saída fáceis em “A Voz de Hind Rajab”, este é meu conselho para você expectador que irá assistir, então melhor que tenha suas emoções sobre controle, pois a partir do momento que a pequena Rajab aparece na gravação recebida por Omar A. Alqam (Motaz Malhees) e posteriormente ajudada por Rana Hassan Faqih (Saja Kilani), o filme nos leva em uma jornada angustiante que vai se tornando mais perigosa a cada nova linha de diálogo.
A narrativa se passa basicamente num local só, mas a extensão do suspense e tensão criada é urgente e impossível envolver quando vemos o desespero dos socorristas numa dura realidade enfrentada com a impotência de quem precisa salvar vidas e lidar com mortes diárias que acabam por se tornar “rotina”.
O longa também revela um lado pouco mostrado na guerra que são estas missões de resgate e a dificuldade de quem trabalha do outro lado em conseguir ajuda profissional qualificada em operações de alto risco para realizar um único resgaste nas zonas de guerra em que não se diferencia civis do próprio inimigo.
A verdade é que um filme como A Voz de Hind Rajab expõe uma dura realidade que até vemos diariamente nos jornais, mas aqui parecem impactar mais, pois são relatos e histórias de pessoas que estão vendo o conflito por dentro, sofrendo diariamente perdas e desesperança de uma batalha que muitas vezes parece em vão, mostrado da forma mais realista possível sobre uma direção que sabe trazer uma imersão assustadora através do ponto de vista de uma criança tentando sobreviver em meio ao caos.
O que nos leva a uma primeira metade da narrativa consegue mostrar o tom de urgência que o filme tenta empregar, a segunda metade é uma espiral de desespero com um desfecho sufocante, o que me fez questionar até mesmo se realmente a humanidade está à beira de um colapso social mostrando a verdadeira face grotesca do genocídio cometido em Gaza.

Por tudo que mencionado, A Voz de Hind Rajab é duro, é urgente, triste e intenso que vai trazer reflexões urgente sobre como lidamos com conflitos desta magnitude. O longa é uma denúncia narrativa que escancara o vazio de vidas inocentes que ecoam numa escuridão eterna de uma guerra desenfreada que irá resultar em perdas incontáveis de vidas inocentes que no final visam apenas conquistas e poder, deixando uma sequela geracional. Pessoalmente, acredito que o filme é bem costurado e eletrizante em mostrar isto na medida entregando um final não menos que dilacerante, esteja preparado.
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Joao Paulo
Sou Engenheiro Eletricista formado, mineiro, blogueiro nas folgas, super fã de filmes, séries e animes. Apaixonado por Marvel, simpatizante da DC, grande fã de super-heróis no geral. Eu vou ser o rei dos Piratas.
