Fazer uma sequência já não é tarefa fácil. Fazer uma sequência para um filme amado, menos fácil ainda. E uma sequência para um filme amado, 35 anos depois de sua estreia… Bem, acho que a ideia ficou clara. É difícil e um tanto arriscado.
Mas, no caso de Beetlejuice – Os Fantasmas Ainda Se Divertem (Beetlejuice Beetlejuice, no original), as apostas parecem promissoras. Mergulhando mais uma vez no mundo peculiar de Tim Burton, voltamos à pequena cidade de Winter River. Desta vez, acompanhamos uma nova geração da família Deetz: Astrid (Jenna Ortega), filha de Lydia (Winona Ryder).

O roteiro considera os anos passados entre os dois filmes, retratando a vida adulta de Lydia, agora mãe divorciada de uma adolescente que lhe dá tanto trabalho quanto ela mesma deu para Delia (Catherine O’Hara). Lydia, apresentadora de um programa sobre casas assombradas e namorando seu produtor, tenta evitar Beetlejuice, que ela sente estar sempre a observando. Mas é forçada a confrontar seus maiores medos quando seu pai, Charles, morre, e ela, a filha e a madrasta precisam voltar à casinha de Winter River para organizar seus pertences e realizar o funeral. No meio do luto e das responsabilidades, cada personagem enfrenta seus próprios conflitos internos, claro, em meio a muita confusão e viagens para o além.
Já Beetlejuice, apesar do tempo que se passou, parece não ter mudado. No pós-vida, ele comanda uma central de atendimento caótica, até que a volta de Delores (Monica Bellucci), sua ex-mulher vingativa, o obriga a agir (ou melhor, a fugir). O humor irônico, irreverente e escatológico do personagem que conquistou milhões retorna com força total.
Catherine O’Hara brilha no papel de Delia, agora com mais destaque. Jenna Ortega, que está em todos os lugares recentemente, surpreendeu com uma personagem que, embora diferente do esperado, agradou bastante.

Willem Dafoe interpreta Wolf Jackson, um ator que fazia o papel de um policial, e Justin Theroux, o namorado e produtor de Lydia. Tanto eles quanto Delores reforçam a comédia, mais do que qualquer outra coisa, mas suas cenas são excelentes.
Os cenários e o visual do filme, com figurinos e momentos de animação, trazem o estilo clássico de Tim Burton, misturando o macabro e o humor com maestria, criando um mundo interessante e divertido.
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Se há algo a reclamar, seria que as resoluções das tramas dos personagens ocorrem de forma um tanto apressada. No clímax, quando tudo está prestes a se resolver, eu esperava um pouco mais de dificuldade antes da conclusão. Dito isso, a rapidez se alinha com o estilo meio pastelão do filme, então não chega a decepcionar.
O filme estreia amanhã, dia 5 de setembro, nos cinemas nacionais. Para os fãs do original, o longa deve agradar, e, considerando o interesse dos adolescentes por séries como Wandinha, provavelmente trará novos fãs para o demônio caótico e divertido de Tim Burton.
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Dani Goldenberg
Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.
