- por Dani Goldenberg
Razão e Sensibilidade estreou e eu não sei o que acontece com as histórias da Jane Austen, que você simplesmente se propõe a ir ao cinema e, quando vê, tá lá desejando estar em 1811; trocando cartas com um pretendente, se arrumando para um baile em uma propriedade rural chiquérrima na Inglaterra e prontíssima para abandonar coisas essenciais como internet, antibióticos e saneamento básico.
Ela tem esse talento de transformar situações simples em histórias que ainda fazem a gente suspirar, rir e se apaixonar junto com os personagens, mesmo duzentos anos depois.
O filme acompanha a família Dashwood, as irmãs Elinor (Daisy Edgar-Jones), Marianne (Esme Creed-Miles) e Margaret (Bodhi Rae Breathnach), que acabaram de perder o pai. Com a morte dele, elas perdem também o direito à casa onde viveram a vida toda, já que o novo dono é o meio-irmão delas, John.
Elinor e Marianne são bem diferentes: enquanto a mais velha tenta manter a razão e colocar as necessidades da família acima das próprias vontades, Marianne sente tudo intensamente e não faz muita questão de esconder. Eu me identifiquei com as duas: tenho um pouco da Elinor nessa mania de achar que preciso resolver tudo, mas também tenho bastante da Marianne quando o assunto é não sentir as coisas pela metade.

Essa diferença entre elas rende boa parte dos conflitos da história. Mas, no fim das contas, o carinho entre elas fala mais alto, e acompanhar essa dinâmica é uma das partes mais gostosas do filme. Saí do cinema ligando pra minha irmã.
Ele chega com a esposa, Fanny, que diga-se de passagem, é uma mulherzinha amarga e bem fácil de pegar ranço. Um tempinho depois, Edward, irmão de Fanny, vem se hospedar no casarão, e ele e Elinor passam bastante tempo juntos e se interessam um pelo outro. Infelizmente, antes que qualquer coisa possa acontecer, as irmãs e sua mãe precisam deixar a propriedade, mudando para outra casa, mais distante.
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Nesse novo ambiente, Marianne conhece John Willoughby, por quem fica encantada quase imediatamente, e também o Coronel Brandon, que começa a demonstrar interesse por ela. E é aí que entram mais alguns dramas amorosos, porque aparentemente ninguém naquela época podia simplesmente gostar de alguém e ter uma vida tranquila.
O filme explora muito bem essas pequenas aproximações. Tem uma cena entre Elinor e Edward conversando em um museu que foi me dando um quase-desespero, porque o que eles não falavam pesava mais do que o que eles falavam nas entrelinhas. Eu já estava parecendo aquele meme do “now kiss”. E adoro quando um romance consegue criar essa expectativa (sou fã do slow burn) e te deixar com frio na barriga por outra pessoa.
Aliás, saí do cinema apaixonada pelos protagonistas masculinos. Edward é um querido, cavalheiro, charmoso, doce e um pouquinho bunda mole (no caso dele, a gente perdoa). E o Coronel Brandon também chamou a minha atenção, com aquele jeitinho bem característico dos mocinhos da Jane Austen, que vão gostar das protagonistas meio em segredo e fazem o que podem por elas, muitas vezes sem nem esperar reconhecimento.
Achei o elenco todo ótimo, mas as três irmãs são um destaque à parte. Daisy Edgar-Jones, Esmé Creed-Miles e Bodhi Rae Breathnach funcionam muito bem juntas, e dá para sentir a diferença de personalidade entre elas. Caitríona Balfe também está ótima como a mãe, embora eu confesse que gostaria de ter visto um pouquinho mais dela.

A estética acabou comigo também. As paisagens, as casas, os figurinos, os bailes… Tudo lindo, lindo e lindo, daquele tipo de filme que dá vontade de pausar só para ficar olhando os cenários ou colocar todos os locais de gravação na lista da próxima viagem.
Acho que, para quem gosta de Orgulho e Preconceito (o de 2005, com a Keira Knightley), esse filme tem uma construção de romance que vai agradar bastante. Senti muito mais essa proximidade do que com Persuasão, na versão de 2022 com Dakota Johnson, que foi a última adaptação da Austen que assisti. São propostas diferentes, mas aqui encontrei aquele tipo de romance de época que me faz ficar completamente envolvida com cada olhar e cada pequena aproximação.
E não precisa conhecer o livro para aproveitar o filme. Faz bastante tempo que li Razão e Sensibilidade (uns 13 anos, na verdade), então não vou nem entrar no mérito de ser uma adaptação fiel ou não, mas achei uma ótima opção para quem gosta de romances de época. Até porque, convenhamos, Bridgerton é meio que outro departamento, né?
No geral, foi uma experiência deliciosa, daquelas que fazem a gente rir, se emocionar, passar raiva com algumas escolhas e sair do cinema querendo viver dentro daquela história.
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Dani Goldenberg
Sou formada em Letras e passei 9 anos trabalhando em escolas, mas fugi para o marketing, então agora sou gerente de projetos, o que geralmente significa "babá de adultos". Meu quarto tem livros demais e eu tenho esperança de que um dia vou ler todos. O dinheiro que não vai para eles costuma virar ingresso de show, viagens, comida boa e qualquer coisa relacionada a gatos. Minha vibe é 50% gótica e 50% princesa do glitter, estou aprendendo a ler tarot e sou uma cantora de chuveiro extremamente dedicada. Minha personalidade foi moldada por filmes dos anos 2000, Disney Channel e pelos livros da Meg Cabot, especialmente A Mediadora. Meu traço tóxico é discutir com pessoas que eu conheço para defender pessoas que eu não conheço, então fica o aviso: nunca fale mal da Pink perto de mim.
