Review | Apopia: um conto disfarçado – indie sobre traumas

Review | Apopia: um conto disfarçado – indie sobre traumas

Ás vezes, os nossos sentidos nos enganam. Em outras, confiar neles é a melhor coisa que podemos fazer. Nossas lembranças podem nos trair, e podemos acabar esquecendo de quem somos e nosso potencial. Mas quando compartilhamos nossas histórias com pessoas de confianças, podemos somar forças e superar tudo isso. E com esse sentimento podemos iniciar nossa jornada em Apopia.

Nessa review eu quero trazer um geral de como foi minha experiência jogando Apopia. Aqui você vai encontrar um resumo da história, da gameplay, a minha opinião sincera e se vale a pena adquirir o game.

Apopia: Um Conto Disfarçado é um jogo indie de aventura lançado em 3 de março de 2026. Desenvolvido pela Quillo Entertainment Limited e distribuído pela Happinet, traz uma experiência com várias camadas. Usando um ambiente fofo para tratar de assuntos cada vez mais sérios.

Acompanhamos Mai, uma garota que cai num buraco e fica presa no reino Yogurt. Este lugar é um reino adorável, povoado só por coelhinhos e selado através de um portal. Entretanto, para conseguir voltar para casa, precisamos passar por diversos desafios e inimigos através de puzzles e minigames. Além disso, conhecemos todo o reino e seus habitantes, que também tem muito mais do que aparentam de início.

Foto/Reprodução: Apopia: um conto disfarçado

Resumo da ópera

Durante uma trilha na montanha, Mai tentava acompanhar a mãe, que andava depressa. Ela só lembra de ouvi-la chamando e de cair num buraco. Ao acordar numa caverna, segue um gatinho procurando a saída. Certo momento, a caverna desmorona, fazendo-a, então, fugir com o gato Nico (ou sem ele, você escolhe). Lá fora, vê um lugar bonito, mas que não é sua casa. Então ela encontra com Leo, um coelho alto, de óculos, com vibe de Morpheus de Matrix. Ele a questiona sobre não-coelhos, criaturas proibidas em Yogurt. Se ela soubesse de algum, deveria informá-lo para que ele pudesse prendê-lo e levá-lo ao BOSS.

Sabendo em quem não confiar, Mai encontra grandes aliados: os mosqueteiros Ardyn, Bene e Charlotte, e também a princesa Moly, que o BOSS expulsou do castelo. Moly mora na Big House, um lugar que construiu justamente para esconder não-coelhos e fugitivos da tirania de BOSS.

Foto/Reprodução: Apopia: um conto disfarçado

Por outro lado, além de Leo, outras duas coelhas eram seu braço direito: primeiro, Nana, fria e arrogante, responsável pelo teatro e pela ordem; e Mikki, a bruxa, que, além disso, mestre da tecnologia, desenvolvia robôs para os mais diversos propósitos.

Mai possuía uma habilidade que ela apelidou de Mai Trick. Com um terceiro olho verde, ela conseguia entrar na Dark World das pessoas, ou seja, ler a mente delas. Dessa forma, ela conseguia ver o que os outros estavam sentindo, lembranças, entre outras coisas. Ela conseguia ter esse contato não só com as pessoas mas também com os robôs e outros eletrônicos.

Gameplay de milhões

É muito divertido como a gameplay aqui varia. Predominantemente, se assemelha bastante a um jogo de plataforma, onde você anda meio que “em linha reta”, interage com personagens e objetos. Mas o pulo do gato está quando você entra num jogo dentro do jogo. Ou quando você se depara com uma quest que muda completamente a cara do jogo e transforma ele num simulador de relacionamentos.

Foto/Reprodução: Apopia: um conto disfarçado

O jogo também é muito didático, foram poucas as vezes que eu me encontrei encurralada, sem saber o que fazer. Em alguns momentos era difícil diferenciar o que eu poderia interagir ou não (e isso não é de todo mal). Algumas dessas vezes foram bugs reais outros foram criados pela minha cabeça, mas num geral, ele é bem claro dos seus objetivos e como passar por eles. As minhas partes favoritas foram as que envolviam música e ritmo.

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Porém, como a própria história vai se revelando mais sombria, a gameplay também vai ficando mais séria. O que no começo é apresentado como um inocente jogo de baseball, lá na frente vira uma batalha pela própria vida. O próprio Mai Trick se revela muito mais do que um “olha que legal, eu consigo ver no que você está pensando agora” e se transforma numa maldição.

Foto/Reprodução: Apopia: um conto disfarçado

Hora de julgar o coleguinha

Enquanto eu jogava eu senti como se tivesse dentro de um Deltarune, com uma trilha sonora que me envolvia emocionalmente com aquele estilo de arte fofo e personagens carismáticos. Foi muito fácil eu ficar vidrada e ficar 10 horas seguidas até terminar para ver o que ia acontecer enquanto eu criava várias teorias na minha cabeça.

Outro jogo que também me veio na mente pelo plot no final foi Cyberpunk 2077, trazendo temas sobre saúde mental, o uso de inteligência artificial para tornar pessoas imortais, assunto que bizarramente já está tão em alta hoje em dia que é difícil separar a linha entre ficção científica e realidade.

Mais uma coisa que acontecia enquanto eu jogava é que ás vezes o meu senso explorador me colocava em lugares onde eu não deveria estar e ficava presa. Eu acredito que em novas atualizações isso será resolvido, mas é sempre bom tomar cuidado com os limites das telas e a ordem que as coisas precisam ser feitas.

Foto/Reprodução: Apopia: um conto disfarçado

Lembrando que é possível jogar tanto com teclado e mouse quanto controle (eu joguei assim). Mas eu confesso que tem umas partes que no teclado eu achei mais fácil, principalmente nos minigames de ritmo. Eu ainda não tive a oportunidade de abrir o jogo no meu notebook mais fraquinho, mas pelas especificações, não parece ter muitas limitações de hardware para aproveitar essa experiência.

Vale a pena?

Adquirir esse game é mais do que ter contato com um joguinho fofinho de coelhos em um reino de doces. É ter contato com a expressão de corações que foram feridos e forçados a sorrirem. Com classificação acima de 10 anos, eu recomendo a todos que gostam de uma história envolvente (e tenham paciência de ler tudinho, se não você vai deixar de aproveitar o mais importante nesse jogo) e que não se incomodem com um ou outro gatilho que possa vir aparecer. No fundo, o tema acaba sendo um pouco pesado, mas vale a pena e é necessário tocar nesse desconforto.

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Gabriele Miranda

Audiovizueira pela FAPCOM, adquiri habilidade de fazer bonecos se mexerem pelo Senac Lapa Scipião. Multi-instrumentista e guitarrista na banda Antena Loka, sou pan, vegana e gateira. No tempo livre, estou jogando em algum emulador, andando de patins ou criticando o capitalismo. Talvez eu encontre algum planeta onde me sinta melhor.

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