Review | Justiça Artificial

Justiça Artificial chega hoje aos cinemas com uma narrativa inquietante: um sistema de inteligência artificial assume o papel central em julgamentos criminais, analisando provas e depoimentos de forma objetiva, binária, sem espaço para emoções ou nuances. Para a IA, tudo se resume a “verdadeiro” ou “falso”. É nesse vazio entre os extremos que o filme encontra sua maior tensão.

Narrativa bem construída

Sem querer entrar em comparações diretas (até porque seria injusto), mas a estrutura do filme me lembra muito a de um thriller literário de alto nível, daqueles que prendem o leitor, neste caso o espectador, do começo ao fim. A narrativa é elegante, cheia de camadas, e sabe dosar informação, silêncio e revelações com precisão.

Atuações que sustentam o filme

Chris Pratt (Guardiões da Galáxia) passa praticamente todo o filme sentado em uma cadeira, algemado, e ainda assim consegue sustentar a tensão com uma atuação contida e eficiente de agonia crescente, desespero, e determinação. Seus momentos de concentração, cálculo e desafio são fundamentais para o andamento da trama. Em frente a ele, Rebecca Ferguson (Duna), mesmo limitada a ser um rosto em uma tela, impressiona muito. O controle de expressões, a interpretação da frieza estratégica de uma IA e seus olhares intrigantes tornam sua presença marcante, provando que atuação não depende de espaço físico, mas de entrega. Juntos, os dois carregam o filme com muita maestria.

Chris Pratt Justiça Artificial
Foto/Reprodução: Sony Pictures

IMAX como parte da experiência

Uma produção filmada para IMAX, Justiça Artificial realmente faz uso do formato. A experiência é imersiva e faz diferença: o espectador se sente dentro da trama, atento a cada detalhe, porque tudo pode importar em uma boa investigação. A história se desenrola como uma corrida contra o tempo, um recurso clássico que funciona muito bem aqui, elevando a tensão e mantendo o ritmo sempre alto.

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Limites sensíveis

O filme deixa claro que a inteligência artificial não substitui o humano, mas que juntos podem colaborar de forma poderosa. Ao longo do julgamento, a IA aprende, evolui e se adapta, enquanto o protagonista testa seus limites, chegando a desafiá-la e até “bugá-la” em momentos decisivos. O roteiro também reforça um alerta importante: um poder tão grande em mãos erradas é perigoso, independentemente de ser humano ou digital.

Rebecca Justiça Artificial
Foto/Reprodução: Sony Pictures

Mais reviravoltas

Em um cenário onde histórias sci-fi sobre tecnologia e justiça já foram amplamente exploradas, Justiça Artificial surpreende. Quando o espectador acha que já entendeu o rumo da trama, o filme revela que ainda há mais por trás — trazendo novos plots, novas camadas e mais perguntas. É um thriller que confia na inteligência de quem assiste e recompensa a atenção até o último minuto.

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Miguel Felipe

Geek raiz, analista de sistemas, jornalista por paixão e artesão nas horas vagas. Especialmente viciado em café, livros, tecnologia, histórias em quadrinhos, videogames e ficção científica. De cabelo bagunçado, sempre com fones nos ouvidos, um livro na cara e All Star nos pés.

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